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Crítica: A Morte do Demônio (2013) [2]

 

Qualquer fã ou apreciador de filmes de terror sabe o quanto The Evil Dead de Sam Raimi teve importância no gênero, sendo um dos filmes mais amados pelos saudosistas e fãs hardcore do terror. O filme não só inovou como se tornou um dos maiores clássicos do cinema independente e de terror. Antes dele Sam Raimi tinha feito um curta metragem chamado Within the Woods, um esboço para conseguir faturamento para o filme anos depois. O filme foi feito com uma produção limitada tanto em equipe, quanto em orçamento, dando a Evil Dead status de um dos filmes mais lucrativos da história do cinema independente. Embora o filme tenha tido uma ótima recepção de público e critica, Raimi afirmou não ter ficado satisfeito com o resultado final por causa do orçamento limitado. 5 anos depois ele fez a continuação/remake The Evil Dead II: Dead by Dawn, com um orçamento maior e com efeitos melhores e humor negro, tipico dos filmes de terror dos anos 80, o filme saiu e agradou o público e quem havia gostado do primeiro. Levando os produtores a fazer a parte 3, com um argumento diferente de tudo que havia sido feito, com o herói Ash tendo que enfrentar o mal na idade média. O filme saiu em 1993 e fechou a série, com um filme carregado de humor pastelão e, mais uma vez, caindo na graça do público.


Com a onda de refilmagens de sucesso, clássicos como O Massacre da Serra Elétrica, Sexta-Feira 13, Halloween, A Hora do Pesadelo, entre outros, ganharam refilmagens e todos faturaram muito em bilheteria. O clássico de 81 não poderia ficar de fora da lista, e assim como Wes Craven fez em nas refilmagens de Quadrilha dos Sádicos e Aniversário Macabro, o próprio diretor Sam Raimi se envolveu na produção da refilmagem, junto com Rob Talbert e Bruce Campbell. Os dois trailers divulgados animaram o público e o filme chegou aos cinemas em primeiro lugar de bilheteria. A pergunta que todo mundo se fazia era: "É melhor que o original?", Nem fodendo!!! Mas sim, é um filme digno do título Evil Dead e uma boa surpresa no meio de tantas refilmagens ruins e desnecessárias.


O filme dessa vez tem direção do Uruguaio Fede Alvarez, diretor do curta Ataque de Pânico (2009). Alvarez teve liberdade criativa para escrever o roteiro e dirigir o filme, com Sam Raimi como executor das idéias. Diferente do que andava circulando na internet, o filme não é um remake, e sim uma reinvenção da história, com alguns elementos básicos e com várias liberdades criativas. Alguns aspectos permanecem nesse filme, não temos mais o gravador com as passagens do livro, nem o personagem icônico Ash, interpretado por Bruce Campbell, que virou marca registrada da série, de resto tudo continua lá. A cabana, a floresta com arvores vivas, a possuída no porão, o livro dos mortos e a moto-serra, que dessa vez é usada em cena e até o carro do Ash marca presença.


A história acompanha 5 jovens formados por David, Eric, Mia, Olivia e Natalie. Mia, irmã de David é viciada em heroína e o grupo decide levar a moça para a antiga cabana, afim de fazer uma desintoxicação. Ao chegarem ao local encontram o porão cheio de animais sacrificados pendurados no teto e um antigo livro, enrolado em um saco plástico, envolto por arrame farpado e com a escrita: "Largue esse Livro, Não Leia, Não Diga!" . Eric tem a ideia genial de tentar ler as palavras ocultas no livro em voz alta; libertando o mal descrito no livro. Mia é a primeira a ter visões, o grupo acha que tudo faz parte do sintoma de abstinência e é a primeira a ser possuída, depois disso o filme segue com sequências de possessões, mortes e brutalidade, tudo para abrir a passagem para um demônio poderoso tomar a terra.



O grande mérito desse filme é ser diferente do filme de Sam Raimi. A mudança de tom e estilo foi a carta na manga. Afinal se é para fazer igual, melhor não fazer! Os produtores sabiam o quanto o clássico de 81 era único e só usaram o argumento e entregaram um filme diferente, do mesmo jeito que Despertar dos Mortos é diferente de Madrugada dos Mortos. Fede Alvarez prometeu um filme sem CGI, e em partes cumpriu a promessa. Boa parte dos efeitos especiais são práticos  e grande parte bem realista, com destaque para a maquiagem em cenas de violência em que alguém mutila alguma parte do corpo, algo recorrente no filme. Os efeitos em CGI estão presentes sim, mas passam completamente despercebidos e estão bem realistas também. A direção de Fede Alvarez nem de longe é segura como a de Sam Rami no filme original. Os movimentos de câmera e visão subjetiva, que era uma caraterista do filme original ficaram de fora.


O roteiro traz algumas sacadas interessantes, mesmo que algumas mal desenvolvidas. Diferente do livro do filme original, aqui o livro dá detalhes sobre as possessões demônicas, com figuras e uma profecia que anuncia o apocalipse e a chegada da besta depois de uma chuva de sangue.

Algo que passou despercebido pela maioria é que o visual do filme é idêntico ao remake de O Massacre da Serra Elétrica, a fotográfica e os tons de cores empregadas na tela, lembram muito o visual. Já tinha notado isso no trailer e notei ainda mais no filme. Até mesmo a cenas que se passam de manhã na floresta parecem ter sido tirados do filme do Marcus Nispel.

Além do visual, é impossível não notar as influências do clássico O Exorcista, que vão desde a maquiagem dos possuídos, até as blasfêmias, com falas do tipo: "Sua Mãe está sendo estuprada no inferno". Se for comparar prefiro os possuídos do original, pulando em cima das vitimas enquanto diziam "Join Us", porém não tem como não destacar que os possuídos desse filme também tem características de destaque, como se alto mutilar, rendendo boas cenas como aquela no banheiro em que uma das personagens rasga a boca com um pedaço de espelho quebrado.



Há alguns pontos bem fracos nesse filme, a principal é mostrar o demônio encarnado, fora dos corpos; aparecendo com o mesmo visual da pessoa possuída. Logo no começo mostra a personagem Mia, vendo o demônio na floresta como uma visão de si mesma possuída. Algo que já havia sido visto em outras produções. Em alguns momentos os tais demônios parecem fantasmas de filmes de terror japonês, com direito a cabelo na frente do rosto e se arrastando pelo chão.

Duas cenas no trailer ficaram de fora da versão final do filme. Aquele cena em que o demônio canta a canção clássica do filme original: "We gonna get you, we gonna get you, not another peep, time to go sleep", e aquela cena que mostra o personagem David cortando alguém com uma moto-serra, jorrando sangue pela cabana. As duas cenas fizeram falta na versão final, é quase certo que saiam em uma versão estendida do filme em DVD e Blu-ray.



As cenas de violência são espetáculo, temos mutilação, gore, muito gore, sangue aos litros, desmembramento, todas as cenas muito bem realizadas e com efeitos práticos, algo que anda em falta no gênero ultimamente. A cena "Feast on this, motherfucker" já pode entrar pra lista das cenas mais memoráveis do cinema terror.

Como já foi dito antes o filme não se compara ao original, mas merece sim o título Evil Dead e também não o filme não faz jus a tagline " O Filme Mais Apavorante Que Você Verá Nessa Vida". A Morte do Demônio 2013 é um filme que cumpre o que promete, assim como todo filme tem seus defeitos e suas qualidades. De modo nenhum mancha a imagem do clássico ou tira seu mérito. Dois filmes que foram feitos para serem vistos, revistos e apreciados pelos fãs do terror.

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