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terça-feira, 14 de junho de 2016

Crítica: O Massacre da Serra Elétrica II (1986)

Direção: Tobe Hooper | Roteiro: L.M. Kit Carson, Tobe Hooper (do primeiro "The Texas Chainsaw Massacre") | Estrelando: Dennis Hopper, Caroline Williams, Jim Siedow, Bill Moseley | Gênero: Terror, Comédia | País: Estados Unidos | Linguagem: Inglês | Lançamento: 22 de Agosto de 1986 (EUA); 17 de Setembro de 1986 (Brasil) | Orçamento: 4 milhões (estimado) | Filmagem: Texas, EUA | Duração: 101 minutos (original); 89 minutos (Ontario – editado)


O Massacre da Serra Elétrica 2 é um filme de extravagâncias bizarras, no melhor estilo do Terror anos 80: Excesso de violência e sangue, humor negro e estranhezas. É diversão garantida, se você conseguir entrar no clima dele já sem olhares preconceituosos. Embora não possa ser considerado um filme propriamente Trash, tem muito do estilo presente nele, seja pelo exagero ou pelo humor escroto e (muitas das vezes até de mal gosto), ou mesmo pelo pastelão, típico de tranqueiras oitentistas das mais diversas.

Os filmes de terror mais despudorados ganharam força e popularidade entre os jovens em meados de 80 dessa forma, muitas das continuações de "clássicos modernos" e novos filmes que saíam na época eram garantia de diversão e sucesso, sem se falar que uniam o útil ao agradável com doses de humor negro, algo que era quase um padrão, tal como pode ser visto nas sequências de A Hora do Espanto, Uma Noite Alucinante (vulgo Morte do Demônio – lançado um ano após Texas Chainsaw II), A Volta dos Mortos-Vivos, etc, etc, etc...


E foi nesse meio que, em 1986, Tobe Hooper (já reconhecido pelo sucesso de um dos maiores clássico de Terror já feito, O Massacre da Serra Elétrica – 1974) assinou um contrato com a pequena produtora americana chamada Cannon, para dirigir e produzir um novo filme e continuação para o clássico O Massacre. A continuação já era planejada para "seguir os passos" do que estava em alta no momento. Com um estilo diferente do primeiro filme, que era mais pesado e sério, esse era mais descontraído. O resultado foi um filme que ficou reconhecido muito abaixo do primeiro, mas que se destacou por ser diferente e tentar algo novo, a sua maneira.

E de fato, não são todos que gostaram dessa continuação, chegou a ser taxada como bomba na época em que lançada, e indicada como uma das piores continuações de todos os tempos, status que ainda hoje carrega, está claro que injustamente, apesar de todos os defeitos que possa ter.

É fato que o primeiro filme é um dos maiores filmes de Terror de todos os tempos e concordo que essa continuação está muito abaixo do puta filmaço do caralho que é o primeirão, mas também não tem como negar o quanto essa continuação é boa, por diversos ângulos, e o quanto ela se destaca como um filme próprio, não tem como comparar, é mais ou menos como A Casa dos 1000 Corpos comparado a Os Rejeitados pelo Diabo, só que nesse caso, não é a continuação que está acima do primeiro como é o caso de Rejeitados.

Acho que o próprio Tobe Hooper se deu conta de que não poderia fazer um filme a altura do primeiro, explorando as fórmulas de antes e decidiu fazer uma continuação que é uma versão exagerada, caricata e até debochada do primeiro e o resultado foi uma das continuações mais divertidas já feitas. Tobe Hooper fez com essa continuação o mesmo que Sam Raimi fez com Evil Dead, inserido muito humor, sangue, violência, além de um estilo próprio, independente. A diferença é que Evil Dead II teve ótima recepção, enquanto O Massacre II não.

Um pouco do enredo e seus personagens



O enredo da continuação se passa 12 anos após os eventos do primeiro filme. A cena inicial é narrada em textos contanto o caso de Sally, sobrevivente protagonista do Massacre, que conseguiu fugir e reportar a policia sobre os eventos ocorridos no filme anterior. A policia faz uma busca, mas não consegue localizar a tal casa da fazenda descrita por ela, que pouco tempo depois entrou num estado de catatonia.

Mesmo sem pistas dos crimes hediondos e dos fatos concretos a policia com o passar dos anos investiga alguns crimes relacionados ao tal caso, onde pessoas são foram misteriosa e brutalmente assassinadas por motosserras em alguns lugares do Texas, mas não há nada conclusivo.

Fora isso, a história mostra uma DJ chamada Stretch (Caroline Williams – uma surpresa até que interessante no filme mas que em contraposto a Marylin Burns não é tão incrível), ela trabalha numa popular rádio local do Texas chamada de Kaokla – daquelas estações antigas que o pessoal ligava pedindo músicas e fazendo declarações.

Dado dia dois baderneiros numa estrada rumo a um jogo de futebol ligam para o programa, quando então são surpreendidos por uma motosserra e assassinados em pleno ar com os celulares ligados na rádio, como testemunha do caso, Stretch então acaba por se envolver involuntariamente no caso, se tornando um alvo dos assassinos e vivendo o inferno na Terra.

Nos é apresentado então um Cowboy investigador (personagem meio sem parafuso, tosco e bem raso no filme), chamado Lefty (O falecido Dennis Hopper, que já declarou que esse foi o pior filme da sua carreira) e que por coincidência é o tio de Sally e Franklin, que há anos procura pelos mesmos assassinos. A policia ignora os fatos e Lefty decide investigar o caso por conta própria, quando ele encontra Stretch e juntos se unem contra os "malfeitores".



Quando os psicopatas-familiares atacam a rádio dela, um amigo de Stretch é espancado e levado.

O quê acontece depois de tudo isso? A Stretch procura a policia?! Não, senhores! A moça é esperta o suficiente para ir atrás da dupla por conta própria, seguindo ambos os carros até o local onde a dupla se escondia, uma antiga mina abandonada, embaixo de um antigo parque de diversões. Sabe-se lá se por curiosidade, fato é que Stretch se arrependerá profundamente de tê-los seguido.

O sujeito que leva o prêmio de mais estranho que vemos nesse filme é o interpretado por Bill Moseley (conhecido também por Otis de A Casa dos 1000 Corpos e Os Rejeitados pelo Diabo), o Chop Top, este realmente tem o dom pra "insanidade debochada".



Chop Top é um dos grandes destaques e novidades desse filme, um dos personagens mais bizarros, sórdidos e sem escrúpulos da história dos filmes de terror, com falas sem sentido, mas muito boas como: "Isso é como a morte comendo bolachas, não é?". Ele substitui com o papel do irmão bizarro do cara mais bizarro ainda Leatherface, que vimos no primeiro filme (interpretado brilhantemente por Ed Neal, o Hitchhiker / "carona", personagem sem uma apresentação ou nome apropriados).

Além do Chop Top temos o Drayton Sawyer, pai da dupla, interpretado muito bem pelo finado Jim Siedow, que mais uma vez regressa no papel (caso alguém não saiba, esteve também no original Massacre) e o ícone Leatherface, dessa vez mais descentrado que antes e nenhum pouco assustador, embora que não menos doentio, mas chega a ser engraçado em várias cenas.

Já com Bill Johnson foi uma digressão fantástica, não tivemos o mesmo resultado nem de longe, o ator não teve o mesmo cuidado ao interpretar o papel antecedido por Gunnar Hansen e trocar o ator não foi uma ideia tão boa, esse Leatherface perde e muito para o original.

A violência apresentada na continuação é maior que a violência do primeiro filme, ainda com muito mais do gore e de cenas pesadas, mas sem o mesmo impacto. Dentre as melhores cenas uma, onde um sujeito leva várias pancadas na cabeça por um martelo e é esfolado vivo. O numero de mortes é uma das grandes baixas desse filme, além de um sujeito que tem a cabeça serrada no começo, o filme só tem UMA morte... quando sabemos que (ainda se tratando de Texas Chainsaw) aí faltou criatividade num potencial extraordinário.

Os efeitos especias de maquiagem e gore foram criados pelo mestre Tom Savini ([porque não citar?] Sexta-feira 13, Despertar dos Mortos, Maniaco, Arrepio do Medo, entre uma infinidade de outros...) que se disse decepcionado pelo cortes feitos em uma das cenas mais violentas do filme, onde a família matava um grupo de pessoas que iria a um estádio de futebol. A cena foi deletada, mas pode ser vista no YouTube.


O grande mérito dessa continuação é o enredo, que foge completamente dos padrões da série, e apesar de todas as influências, pensa diferente. Todos os filmes da série seguem o padrão de enredo do original, com um grupo de jovens indo parar em qualquer casa/ fazenda dessa família assassina insana e sendo mortos e torturados pela família. Já nesse, o roteiro segue outro padrão, algo que nenhum outro filme da série além desse fez. Uma boa sacada de Hooper.

Quem acompanhou o filme pela TV aberta em sessões do TV Terror e Cine Sinistro, deve lembrar também da excelente dublagem brazuca, onde o personagem Chop Top é dublado pelo Nelson Machado Filho (famoso dublador do Quico do Chaves) e a Stretch é dublada pela Cecília Lemes (Dubladora da Chiquinha), a dublagem é excelente e merece uma conferida.

Enfim, o filme pode ser considerado também uma versão exagerada, caricata, até uma parodia do clássico original, mas consegue ser muito melhor que essa continuação de 2013, que se diz a continuação original. Não to dizendo que o filme é excelente, todo mundo odeia, então eu não vou recomendar a não ser que você tenha gostado das características que citadas, com humor pastelão, excesso de cenas bizarras, violência. Se você curte filmes assim então conheça a continuação original do clássico de 1974.

Crítica por Marcelo Gomes Alves, do Sessão do Medo.
Revisão, acréscimos, adaptações e correções: H. Haizer. 
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