segunda-feira, 26 de maio de 2014

Crítica: Dagon (2001)

Direção: Stuart Gordon | Duração: 95 minutos | Lançamento: 12 de Outubro de 2001 (EUA) | Estilos: Fantasia /Mistério /Suspense/ Terror

Hoje a crítica é sobre o ''Dagon'' de 2001, do consagrado diretor Stuart Gordon (Re-Animator, Castle Freak, From Beyond), filme que considero até pouco prestigiado, ele merecia bem mais reconhecimento, é praticamente um cult do Gordon, um filme que muita gente que curte os filmes dele não viu e nunca ouviu falar.

Mais uma das adaptações dos contos de H.P. Lovecraft pelas mãos sórdidas desse diretor. Um filme sensacional, e um Terror conceitual apesar de ter sido filmado a uma década e meia atrás, pode ser considerado o último filme realmente incrível feito pelo Gordon, infelizmente parece que o desprestígio do Terror anos 2000 bateu a sua porta.


Um grupo de amigo está aproveitando as férias em um barco à motor, no Sul da Espanha, bem próximos de um vilarejo costeiro, quando começam a ouvir sons de cantos de algo que parecia ser um culto religioso local. Repentinamente, o clima muda, e poucos segundos uma tempestade carregada de nuvens escuras e estranhas passam a logo consumir o céu, e a uma súbita tempestade vem vindo em direção oposta. Daí em diante, só problemas, tensões, mortes, e um clima nada agradável, com cenários molhados e nada há 50 quilômetros de distância. E até o final do filme é isso, com a maioria de cenas noturnas.

Uma das sacadas legais desse conjunto de cenas rápidas do início é quando as nuvens negras vêm se aproximando, podemos ver uma taça de vinho caindo e se espatifando no chão, derramando-se pelo chão do barco como sangue, enquanto a chuva começa a cair e começa a remover qualquer vestígio do mesmo, na minha opinião a cena traduz uma mensagem: O vinho se transformando em água. Tanto é isso que dali em diante, não há mais nada prazeroso, como o pouco visto nos 5 primeiros minutos de filme, mas muito pelo contrário, passa a ser incômodo, desagradávelviolento triste.


Evitando cenas menos curiosas, Dagon é daqueles que não contorna, em menos de 10 minutos já há caos, coisas acontecem, e sempre muito depressa. Ao menos no começo.

O filme se foca em especial sobre o jovem personagem Paul Marsh, interpretado brilhantemente pelo pouco conhecido, Ezra Godden, que tem sonhos constantes e bizarros com uma sereia misteriosa, como se fosse um Déjà vu. Não por acaso, ele parece ter conexões com os tais sonhos. E uma coisa que parece passar batido é que esse personagem principal, Paul, um tipo de nerd de computadores, estilizado como tal com seus óculos sobressalentes, suéter de colegiado laranja (bem "cheguei"), e sua percepção de garoto sobre as coisas que não são regidas ao alcance de uma tela e um teclado.


Tem uma síntese engraçada esse filme, parando para pensar, logo um cara como Paul sendo jogado num outro mundo que é aquele, uma ilha que se tiver algum contato com luz de lampião e barcos a motor já é muito, não poderiam haver digressões maiores, e é o que torna interessante. Essa é a puta ironia do destino (antes do diretor), que se traduziu bem de um clássico readaptado de H.P Lovecraft...

É genial vê-lo posto em "tempos modernos", numa linguagem mais jovem, readaptando-se num mundo onde já havia computadores com seus mini-universos e seus geeks (quem diria ler Lovecraft e Geeks  numa mesma frase). No entanto, nenhum dos personagens se resume a um adolescente desinteressante, o que já começava a ser um problema no Terror no fim dos anos 90, após franquias como "Pânico".


Provavelmente uma das coisas que mais me chama atenção nessa obra, como um todo, é o elenco praticamente desconhecido, e como isso deu certo. Quase todos, atores jovens atores e figuras quase que anônimas do cinema, que foram escolhidas a dedo e atuaram muito bem. O que mais acontece em casos parecidos é dar errado e de 1995 em diante o que não falta é exemplo disso.

Paul, o dito centro dessa história inicialmente é como todos os outros, apresentado de forma extremamente superficial, mas há uma transformação emocional de seu personagem, de forma incrível, mais ou menos como o que vimos em "A Morte do Demônio" (1981) com um protagonista mediano transformado em preza fácil, tentando criando forças numa incansável luta contra um mal, e antes de tudo, por sua sobrevivência.


Outra das coisas que mais me chamam atenção nesse filme: A cidade de Imboca. Apresentada nos minutos iniciais de Dagon, este local que fica numa pequena ilha deserta é o cenário perfeito para protagonizar um filme de Terror (talvez daí venha todo o sucesso desse filme), têm tudo o que os grandes clássicos: É desolado, ambiente hostil, é um cenário espantoso e com gente macabro. Com seus moradores quase sempre frios, nada receptivos e hospitaleiros e num adjetivo simplório, intransigentes. Se é o cenário perfeito ainda tem o acréscimo crucial de, lá, todo mundo só falar em espanhol.

Uma das razões acalentadoras desse filme ser tão bom é por ele ser imprevisível e ser simples, entrega uma linguagem que quem assiste consegue acompanhar muito bem. Imprevisível porque além de não sabemos nunca o que esperar, não fazemos a menor ideia do que faríamos, se nos pondo em tal pele, é assombroso e degelador por natureza (sem falar pelas obviedades visuais de um clima sempre perigoso, frio e chuvoso). Fora isso, estamos sempre torcendo pelo protagonista desta história, consegue muito bem nos fazer importar.


Um filme pouco comparável a outros do Terror no mesmo ano e período, época em que o gênero ainda buscava se redescobrir após a virada do milênio, um declínio do VHS com o surgimento revolucionário do DVD e suas variedades  que mudou também as formas de produzir e distribuir filmes (logo o cinema), e consigo a ascendência da novas tecnologias e suas câmeras menores e mais acessíveis (o rolo "mofável" deu margens ao digital e as novas formas de criar efeitos visuais).


Também com o famoso marco de desprestígio criativo dos grandes diretores do gênero, que dos quais (os que não morreram) não fizeram mais bons títulos, sabe-se lá o porque discussão para outro post (Romero, Raimi, Hooper, CarpenterArgento e outros, tal como é o caso do próprio do Stuart Gordon, como frisei no começo desta crítica). E para mim, esse filme está entre os poucos realmente bons do ano de 2001. Curto também "Olhos Famintos" e "A Mão do Diabo", para citar referências.

Gosto também dos efeitos visuais do Dagon, é de uma época em que o 3D começava a ganhar partes em filmes e usos até desproporcionais, e tem até cenas que usam tal técnica, algumas bem toscas, mas em sua maioria, os efeitos são práticos e à moda antiga.


Só para fazer menção, que não podia faltar: Destaque também para a linda Macarena Gómez por sua atuação extremamente convincente num papel interessante e "misterioso".

Bom, confesso que achei o desfecho do filme de certa forma decepcionante, constrói-se com tanta expectativa uma esperança, e o fim da história não é nada daquilo que imaginávamos, mas também não é ridículo ou ruim, por outro lado, é até ousado. Tirem suas próprias conclusões.


E já finalizando minha crítica, não tenho como reclamar desse filme, dando ênfase para a excelente cenografia e sua Fotografia. À despeito de pequenos desencontros, é um filmaço. Pudemos conhecer um lado novo do Stuart Gordon, até então desconhecido, e ele apresentou muito bom o que fizera, uma adaptação nada medíocre, mas que praticamente caiu em esquecimento com o passar dos anos, de qualquer forma não deixa de ser um bom filme. Recomendo!
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