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Crítica: Aniversário Macabro (1972)


Sabe aquela sensação de frustração quando você vê um filme elogiado e ao terminar de ver não entendeu como ou por quê de tal filme ser tão elogiado e falado?! Foi essa sensação que eu tive ao ver o Aniversário Macabro, por título The Last House on the Left; o primeiro filme e mais cultuado do diretor Wes Craven, com co-produção de Sean S. Cunningham - também conhecido como o homem por trás de todos os filmes do Sexta-Feira 13, e também chamado o Pai de Jason Voorhees -, tendo isso em mão, não tinha como esse filme decepcionar, tendo o criador de Freddy Kruguer e o cara responsável pela criação de Jason.


Bom, The Last House on the Left foi lançado em 1972 uma época em que o cinema tava apostado alto no cinema exploitation, ou seja, filmes apelativos feitos com o intuito de chocar o expectador. Amargo Pesadelo (Deliverance), também lançado no mesmo ano, meses antes desse foi considerado o precursor desse subgênero, que mais tarde seguiria com filmes com temáticas diferenciadas como filmes de canibais, Giallo e o próprio rape and revenge, que ficou popular depois desse filme, dando origem a filmes como A Vingança de Jennifer (I Spit on Your Grave, 1978).


Não tem como negar que esse filme foi algo chocante e até inovador pra época em que foi lançado, a violência no cinema era algo restrito, vale mencionar que naquele ano até Laranja Mecânica foi considerado um filme chocante pela violência apresentada em algumas cenas, mesmo que a proposta do filme não tenha sido essa e a violência do filme seja contida, pros padrões da época era algo inovador, e assim sendo, chocante.


O filme conta a história de Mary (Sandra Cassel), que, junto com sua amiga Phillype (Lucy Granthan), é sequestrada e brutalmente torturada por quatro psicopatas que depois de matar Mary vão parar na casa dos pais dela, que não tardam a descobrir o que aconteceu com Mary...

Ao todo, Aniversário Macabro é um filme bem irregular, pelas cenas de violência e sadismo ele poderia sim ser considerado um filme pesado e chocante ainda hoje como foi considerado chocante pros padrões da época. Wes Craven é corajoso ao mostrar cenas de sadismo explicito como uma cena em Krug escreve o próprio nome usando uma faca e cortando a Mary, ou quando ele obriga a amiga a mijar nas calças. O grande problema é que o fica peca em muitas coisas.


  • Trilha sonora equivocada: Meu irmão, que trilha sonora bizarra!!! Parece que foi ripado de algum episódio dos trapalhões, quebrou o clima em várias cenas.
  • Humor Deslocado: Não sei o por quê, mas Wes Craven tentou inserir humor no filme, não humor negro como é comum em vários filmes, humor pastelão tipo Hermes e Renato e Os Trapalhões, não faz ninguém rir e parece completamente deslocado do resto do filme.
  • Edição bizarra: Muita gente elogia o que Wes Craven fez com a edição, intercalando cenas de violência com cenas de calmaria, eu já acho a edição outro erro grave da produção e assim como os outros problemas que eu já mencionei, a edição também é responsável pela quebra de clima pesado. Afinal, qual o proposito de mostrar uma cena de estupro e sadismo e cortar pra outra cena onde os pais da Mary fazem bolo? Era pra poupar o expectador? Grande erro!   
  • Atuações fracas e forçadas: Boa parte dos atores do filme é bem ruim - Tirando o David Hess que interpreta o Krug e a Sandra Casse que interpreta a Mary de forma convincente -,  o resto atua de forma forçada e/ou de forma caricata (Como é o caso do ator que faz o filho retardado do Krug chamado Junior e clone do Shia Labeof. Péssimo ator).
  • Vingança do Papai Macgyver: Wes Craven já mostrou em A Hora do Pesadelo e Quadrilha dos Sádicos que ele tem uma paixão por finais em que os protagonistas usam armadilhas como arma contra os bandidos, isso foi bem usado nos dois filmes mencionados, mas em Aniversário Macabro isso é tão mal usado que chega a ser constrangedor, tudo parece tão forçado que não dá deixar passar. O Pai da Mary vira o Macgyver no final e cria armadilhas elaboradas de uma hora pra outra. 

Sei que vai ter um pessoal que vai discordar com o meu ponto de vista, muita gente gosta desse filme e o considera um clássico. Eu já não vejo dessa forma de jeito nenhum, pra mim é um filme irregular que inovou ao apresentar violência de forma brutal, e foi responsável pela onda de violência nos filmes de terror dos anos 70. Não deixa de ser um filme influente, mas não faz dele um filme bom.  

Crítica por: Marcelo Gomes
Edição e correção: Hugo Haizer

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