quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Crítica: O Mensageiro de Satanás (1981)


Uma sensacional obra com visceralidade absoluta, em todos os níveis possíveis, tudo o que se espera de um bom filme de Terror dito como Trash está presente em Mensageiro de Satanás.

A maneira como a parte de Fotografia do filme é retratada pode prover uma verdadeira volta no tempo. Acho que apesar de ser um filme do início da década, se alguém me perguntasse e eu não soubesse diria que é dos anos 70, provavelmente do início da década de 70, e é o que realmente parece.

Um pouco sobre do filme e avaliação


O filme tras uma visão única sobre o ato de bullying, focado sobre a vingança e perversidade, resumidamente, centrado sobre o personagem vacilão e perdedor, Coopersmith, um jovem da faculdade militar do qual todos zombam e tiram sarro, mas tudo está prestes a mudar para ele quando ele encontra um caderno com rituais satânicos, o qual ele começa a estudar, inocentemente.

O resto é spoiler, o que posso dizer é que os inimigos de Coopersmith irão se arrepender de terem nascido. Bom, enfim, fato é que o filme é tão simples que não tenho muito mais do que contar, o mais interessante é o fato do ato de vingança, logo que vemos um personagem do qual sentimos pena, ficamos empolgados com seus atos extremos.


Um roteiro muito bom que conseguiu unir alguns elementos que no fim das contas nos faz querer ver o mal acontecendo, e desperta o mal em nós dessa forma. E bom, sem dúvidas não há como passar batida a genial atuação da cara mais que conhecida do cinema b, o honorável Clint Howard, que conseguiu transmitir com louvor um personagem zero à esquerda total, intencional.

Clint é realmente um ator que recicla personagens, atua em qualquer filme praticamente que você entrega-lo com um script e um pagamento, tanto é que pegou papéis muito icônicos, e no Terror ele ganhou muito espaço nos filmes de baixo orçamento entre outros claro, (geralmente com personagens feios porque vai ser feio assim lá longe), já fez filmes muito conhecidos do gênero como "O Sorveteiro" (clássico das tardes do fim noventistas do SBT), vindo a aparecer também em diversos de gêneros variados, sendo que é quase impossível conhecer de cinema e não tê-lo visto pelo menos uma vez.

Já Eric Weston, o diretor desta obra não tem muita relevância dentro do gênero de Terror ou mesmo no naipe do cinema de "Mensageiro de Satanás", uma pena realmente.

Embora tudo, não há porque dizer que esse é um filme perfeito, eu simplesmente admiro muito, sei que tem um cenário, efeitos, trilha sonora e produção de Fotografia excepcionais, mas também sei que passa longe com poucos mas importantíssimos aspectos, como o tal do elenco, fraquíssimo, embora que a atuação não tenha ficado nada mal, digo em questão de roteiro, dava para ter interagido bem mais se houvesse um pouco mais de atenção a isso, entre outras coisas.


Peculiaridade arcaica e compulsão diabólica


Sabe aquele filme para se ter em VHS na coleção e para ser assistido em VHS? Esse é o Evilspeak. Embora já tenha sido lançado em qualidade de Blu-Ray lá fora (e tenha recebido algumas versões bem fuleiras de DVD aqui no Brasil póstumas aos únicos lançamentos em VHS pela extinta Lookvideo) vê-lo naquela imagem escura da fita, com uma legenda de linguagem arcaica embutida no visor (se possível numa TV de tubo primata em fullscreen) ainda propicia uma experiência indispensável e única, neste caso atemporal, é um formato que acompanha o filme desde a criação e pra sempre acompanhará, fica a dica.


Mas as provas de sucesso nesta obra excedem a peculiaridade do videocassete e da predisposição da obra pro formato, onde temos um resultado composto de malevolência e tenebrosidade como elementos quase totalitários, eu particularmente creio que esse é um dos filmes mais satânico de todos os tempos, ele é simples, bem simples, basicamente por culpa da trilha sonora, que entoa cânticos orquestrados e diabólicas em 40% do filme, como que se intencionalmente interagisse mais com quem assiste o filme do que a cena propriamente dita, é um tipo de mensagem subliminar, seja satânico!

As origens satânicas


Obviamente que muita outras obras com rito satânico ajudaram no molde do Mensageiro de Satanás, como as nítidas semelhanças da trilha sonora do clássico "A Profecia" (feito cinco anos antes; um tema idêntico que tem por igualidade o refrão apelativo por Satã, que chama "Ave satani"!).

Vale lembrar que o anos 70 (e início dos 80) foram constantemente criadas algumas das diversas obras satânicas ou com enredos sobre ordens satânicas, algumas de maiores influentes até os dias de hoje, tais como o soturno Alucardia (México), o já mencionado "A Profecia", entre algumas outras obras como A Sentinela dos Malditos ('77), The Devil's Rain ('75), o também mencionável italiano Espírito Malígno ('74)... Enfim, obras marcantes dos mais variados lugares do mundo, e lista onde o próprio "Mensageiro de Satanás" se encaixa, porque pode-se dizer que tem um charme primordial de filme demoníaco.


Todas essas obras influenciadas por um dos fisgões responsáveis pela proliferação do cinema anticristo, os americanos O Bebê de Rosemary e sucessivamente (poucos anos depois) O Exorcista,  o ápice da quebra dos "tabus cinematográficos" envolvendo religião, que antes eram eternamente presente na década passada, anos '60 com seus hippies e (claro que antes muitos clássicos sinistros também deram uniram forças para tal evolução psicológica para o que viria pela frente na década seguinte), o que impulsionou o cinema de Terror a um novo limite, uma fase excepcional e inédita do Terror, composto agora pela visceralidade soturna sempre presente nas obras (e cada vez mais sinistra), fazia com que o Terror fosse além do simples fator e da mera importância de "dar sustos", diferente de muitos descartáveis de hoje.

...Assistam


Voltando ao filme, se me fosse necessário fazer um comentário único em resumido sobre Evilspeak, acredito que eu daria pontos pra essa excessividade notória do filme em perseguir Satã, provavelmente esse é um dos filmes satânicos que vi que mais entoam o mal, chega a ser excessivo, justamente, mas não é nada cansativo.

Simplesmente um final épico, que quase me deu vontade de falar... Como sempre, assistam.

Trailer:

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2 comentários:

  1. Baixei para rever essa pérola do terror, assisti no cinema na Década de 80 e gostei muito na época, agora vou rever, muito bom filme, recomendo.

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