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Crítica: Nasce um Monstro (1974)


"Nasce um Monstro" é um motivo de humor quase que indeferível, aquele tipo de filme que você não consegue levar a sério por mais que perceba que determinadas cenas buscam considerar mais seriedade, principalmente no decorrer e cenas finais do filme, onde o drama é inevitável. Infelizmente (para o meu gosto, claro) esse filme explora muito pouco o Terror propriamente dito, logo que parte excessivamente para um Suspense que impressiona, dá sustos mas que também abusa e enjoa.

O próprio nome do filme já é uma coisa icônica, bem bolado e direto, embora que não tenha como não lembrar da clássica fala: "It's Alive! It's Alive! It's Alive! It's Alive!..." do clássico Frankenstein, que por sinal lembra muito a trilha sonora deste filme.


Eu tive uma oportunidade única de assisti-lo numa mostra de cinema bem interessante, e embora que mesmo em formato digital a experiência foi bem distinta de outros filmes, a começar pela Fotografia bem de filme antigo mesmo! Mais precisamente de filme do final dos anos 60 (por mais que seja de 70), e o lado arcaico vem a calhar bastante nesse filme, apesar de que ele envelheceu bem mal, e demora um certo tempo até nos adaptarmos completamente aos carros antigos e ternos de cor bege, mas eu diria que hoje sua maior peculiaridade é o fato dele ter um ar de filme clássico, porque há de se convir não é filme tão extraordinário em qualquer sentido.

A musa do cinema antigo Sharon Farrell

O termo de filme Trash pode se aplicar muito bem a It's Alive, é um Suspense que condiz com tudo de Trash, não dos mais interessantes para quem espera ver muito sangue, mortes e bizarrices, bom, já bizarro, ele é em quase tudo. Ao assistir esse filme logo lembrei de outros dois, o Plano 9 do Espaço Sideral de '59 (por mais que não tenha muito a ver) e Basket Case. Do Plano 9 acho que tirei a ideia de filme "ultrapassado", um Suspense ultra-exagerado e firmado em seres sem sentido, logo que isso ambos tem muito em comum, mesmo que um seja preto e branco e o outro não. Já "Mistério do Cesto" não há como não fazer comparativos, logo que temos uma história sorrateiramente semelhante ao It's Alive, como (sem spoilar muito) o nascimento de um bebê aberração assassino. Já começa por ai, não vou entrar em detalhes, claro.

E falando de filmes que me lembrou, esse totalmente em outra praia, "Fome Animal", como não recordar? O bebê filho da puta. E como não mencionar o clássico Bebê de Rosemary de '68?


O já finado ator  John P. Ryan

O começo do filme tem um clima bem sutil, de cara já vai direto ao ponto, logo nos 20 primeiros minutos de filme (mais ou menos) você já vê que a grávida entra em trabalho de parto e o bebê tem algo de muito suspeito. O que me chamou atenção foi a forma como ela se mantêm calma, algo praticamente irreal, tipo... Querida você vai dar a luz, relaxe, antes de ir correndo pro Hospital vamos algumas trocar caricias e deixa só eu escovar os dentes e dá comida pros peixinhos. É, quase. 

E das premissas que menos gostei nessa obra a maior foi o excessivo suspense dotado de mistérios, e bota excessivo nisso, tá certo que o ritmo do cinema era outro naqueles tempos, e o filme até pode ter causado espanto em alguém mas pra hoje acaba sendo um mistério que começa excelente mas acaba muito mal, isso sem cogitar o esdrúxulo final do filme (e as explicações bizarras pro determinado acontecimento), mas como eu falei, "Nasce um Monstro" é praticamente desprovido de seriedade.


No fim das contas eles nem aproveitam de forma apropriada a imagem do menininho demônio, sendo que dava pra ter feito algo bem mais medonho.

E já falando dos pontos negativos, um outro fator que não gostei nenhum pouquinho é a forma como o filme perde o rumo, chegando a fazer vergonha por algumas cenas de diálogo, nitidamente feitas para obter o alcance necessário de um longa-metragem... E juntamente no mesmo assunto cai a convencionalidade dele, uma das coisas mais chatas que se pode esperar dele, chega a ser algo até impressionante, um roteiro que parte pro conveniente a todo o momento. E justamente pelos tais fatos eu não acho que seja um filme tão imprescindível.

O clássico sangue vermelho-vermelho.

Bom... A história é toda baseada em um curto elenco, mas com uma elenco secundário "pra dar e vender", muito policial correndo o filme inteiro, cenógrafos pra todo lado, mas em suma tudo se passa sobre uma família contendo três pessoas e alguns, poucos, amigos a mais da família, e há de se convir, a atuação não é das melhores, e muitas das vezes não culpo os atores, o cameraman simplesmente enfia a câmera na cara dos atores, principalmente do John Ryan, que por sinal carrega o filme nas costas, mas se fosse eu no lugar dele soaria frio pra não olhar pra câmera, é quase irresistível... Mas bom, fora os erros da parte de filmagem, há também ângulos de câmera simplesmente sensacionais! Com cenas e mais cenas dotadas de uma lente panorâmica que acrescentou um charme grandioso a película (e olha que eu assisti em 4:3 ein).  Acho que nesse aspecto abordou o experimentalismo total, e deu certo, no geral deu.

Uma coisa que achei bem daora nesse filme é a Trilha sonora orquestrada, que pode lembrar outros filmes totalmente distintos como Star Wars, e gêneros totalmente longes de Suspense/Terror, e como quase tudo no filme, o experimentalismo não acertou em cheio, em certas cenas poderiam ter abolido os instrumentos de sopro, que chegam a tirar o clima, mas no geral ficou muito bom.


E olha só, falei em Basket Case ai mais cedo, "Nasce um Monstro", não bastasse as semelhanças ditas, e ambos também tiveram duas sequências, fechando uma trilogia, e segundo credo popular eles não conseguem alcançar o nível dos primeiros filmes, coisa muito comum dentro de trilogias e principalmente franquias que começam bem e só decaem. Falando em posteridades, It's Alive (como todo bom clássico) também ganhou remake em 2010, que eu não sei se presta (e cá entre nós não faço muita questão de saber).

Lançamentos no Brasil:

No Brasil, o filme chegou em VHS pela distribuidora Warner Home Video, legendado. E chegou a ser exibido no SBT com dublagem clássica da Hebert Richers. Hoje o VHS dele é bem raro, nem todo mundo tem, e quem vende não vende muito barato, mas pra quem é fã de verdade, vale a experiência.

Então é isso, o que eu havia pra dizer do filme é basicamente isso, se você espera desse filme um bom Suspense afiliado com um Drama bem surreal, e claro as pitadinhas mal dadas de Terror, It's Alive pode ser um filme e tanto (principalmente para as gestantes, recomendamos).

Só mais um detalhe, se você não assistiu a ele ainda, recomenda-se que seja visto, a princípio em alta definição, na maior qualidade possível porque tem muito escuro nas cenas do meio até o fim, onde o filme se passa em sua maioria no período da noite. Já para rever poderíamos recomendar o VHS, a despeito da raridade de consegui-lo e "preços módicos" que venha ter, deve provir uma ótima experiência para quem busca uma reprodução fiel, e como formato para este filme não há melhor para se ver, ou até mesmo tê-lo na coleção, recomendado então.

Trailer:
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