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A estreia definitiva do "Fuga sem Destino" de Afonso Braza com a final despedida ao cineasta




Muitos não devem sequer conhecer o incrível cinema do cineasta brasiliense Afonso Brazza, um ator e diretor idealizador de trabalhos extremamente Trash, apesar dele próprio ter dificilmente aceitado o termo para o seu trabalho. Num cruzado icônico entre Ed Wood, José Mojica e na extremidade esdrúxula das atuações de Lloyd Kaufman, ou para referência mais apropriada, quaisquer dos filmes do Sady Baby, a genialidade do Brazza não fica atrás em nada com os respectivos cineastas citados acima, e seu cunho cinematográfico é posto a prova mais do que nunca em seu último filme, "Fuga sem Destino", um filmaço Trash, o filme mais bem investido e executado da carreira do cineasta.

Brazza era ator residente da cidade do Gama, aqui em Brasília, onde até o dia de hoje ele se mantem como o maior realizador do gênero realmente trash, principalmente em consideração pelo tipo de cinema que ele fazia, não era simplesmente escrachado, era propositalmente visceral, e independente em seu extremo.

Cartaz do filme presente na exibição

Todos que conhecem o gênero sabem que um dos maiores trunfos do trash é o comprometimento dos realizadores com a relação entre arte e o puro prazer de fazer, principalmente partindo dos cineastas, logo que fazem do que podem e não podem para realizar uma obra, e com Afonso Brazza isso era fato, e um fato sempre presente, ele fazia filmes, na época, com parte do material reciclado que conseguia, reutilizando ao máximo o que dava em consequência da falta de verba, tudo para a concretização de sua vontade, fazer cinema.

Sobre o cineasta

Ainda adolescente Brazza se integrou a arte de fazer filmes. Trabalha numa pastelaria num horário e no outro frequentava a lendária "boca do lixo", em São Paulo, quando morou por lá, participando da equipe técnica e elenco de produções dos grandes diretores de lá, inclusive conhecendo José Mojica, que viria a mais tarde fazer uma ponta em um de seus filmes (Tortura Selvagem). Não precisa nem falar que depois o cineasta viria a utilizar muito do que conheceu em seus filmes, tal como as dublagens e até atuações improvisadas. Apesar dele ter escolhido ser bombeiro por profissão, tinha o cinema não só como hobbie, mas como paixão e por puro prazer.

Brazza faleceu em 2003 em decorrência de uma fatal parada cardiorrespiratória por causa de câncer no esôfago, sendo assim um ano depois de ter feito as filmagens de seu último e mais bem realizado filme, o “Fuga sem destino”. Hoje, menos de 15 anos depois vemos o filme sendo dado por completo e entregue devidamente, em sua exibição definitiva, o filme até chegou a ser exibido ainda em 2006 numa outra sessão, mas que ganhou uma estréia de lançamento oficial com reedição definitiva nesta terça-feira (16), de certo alguns acertos ainda precisaram ser feitos, a espera resultou em algo positivo, já que ainda em 2003, Brazza pediu para que terminassem de realizar seu filme inacabado, mesmo que no leito de morte, um dos motivos pelo qual admiro muito o cineasta, ator de raça não se faz só por atuação primorosa em dramaturgia. A realização do filme ficou por conta do amigo de velha data de Brazza, Pedro Lacerda, um cineasta brasiliense.

Apesar de tudo, Brazza começou com recursos extremamente precários, chegando a filmar seu primeiro filme com negativos quase vencidos, dos que ele conseguia resgatar.


Sobre o novo filme

O filme conta a história de um perigoso pistoleiro aposentado chamado Trovão que é contratado por um poderoso magnata, o Barão, com a missão de libertação dos seus capangas que estão presos na Papuda, um complexo penitenciário que realmente existe, sendo muito conhecido e temido da região de Brasília.

Contendo todos os elementos da fórmula que fez o cinema do Brazza conhecido, revemos as famosas dublagens desproporcionais em suas cenas, mortes desacerbadas a torto e direito, personagens extremos e poderosos, bang-bang, e como em Grade - Tortura Selvagem feito pouco antes, helicópteros, entre tudo mais, só que neste filme vemos tudo isso ainda mais presente, devido a uma verba maior que o ator recebeu para seus filmes. A exibição, como sempre foi em 4:3, engraçadamente o filme começou ainda em 16:9 mas por um desacerto na tela.

Sobre a exibição
Uma sequência de trechos do filme

O filme foi exibido no Cine Brasília, que é um bom espaço para filmes, com muitas poltronas e uma tela e som perfeitos, assistir a um filme do Brazza ali é coisa de outro mundo, um momento mágico que só quem teve que soube como é exatamente, principalmente se tratando deste ''novo'' flme, que sem dúvidas o melhor filme dele, de todos. Muitos dos presentes caíram em gargalhada com diversas das cenas onde, e nas cenas mais marcantes os aplausos vieram a tona, e como ser diferente? Não há como deixar de prestar reverências a tal gênio, que foi ele.

Como sempre revemos a edição grotesca, com cortes de cenas excessivamente bem utilizados Essa é uma marca registrada dele, uma ação com comédia sem precedentes. Conforme foi divulgado, o filme é a última exibição em estréia do cineasta, ou seja, quem não foi perdeu.

O tributo final

Como forma de tributo Fuga sem Destino foi lançado, em uma celebração definitiva da vida do ator, em um momento antes com uma pequena homenagem reunindo grande parte do elenco do filme, onde os realizadores puderam dar algumas palavrinhas, entre eles Ricardo Noronha, um conhecido apresentador de TV de Brasília, e o então encarregado pela finalização da obra, Pedro Lacerda.

É uma grande pena que nunca mais teremos novidades sobre um cineasta tão original quanto Afonso Brazza,  o que pode-se dizer? Tomara que o novo material ganhe ao menos um lançamento em DVD para poder eternizar-se, sem sombra de dúvidas é uma obra que faria Brazza muito orgulhoso.

R.I.P Afonso Brazza (1955 - 2003)

Comentários

  1. Muito bom!
    No Brasil temos muitas dessas figuras que fazem cinema independente, mas que infelizmente não são muito conhecidas fora de sua área. Ou até são, mas dificilmente temos acesso aos seus filmes. Rambu da Amazônia, João Amorim em Santa Catarina, Afonso Brazza em Brasília, e tantos outros que eu não lembro ou nem conheço.
    Eu adoraria ver todos os filmes de todas essas figuras, mas é coisa mais rara que goiabada cascão em caixa. E pra baixar, então?! Nunca vi. Fica uma sugestão ao site, um especial Afonso Brazza e quem sabe dos outros cineastas também.
    Abraço, e sigam o bom trabalho!

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