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Dissecação completa: "Massacre da Serra Elétrica" (1974) [Atualizado:23/08/2016]

Desenvolvimento inicial, as histórias e inspirações para a construção do filme


O conceito inicial para a criação do Massacre da Serra Elétrica surgiu logo no começo de 1970, enquanto o diretor do filme, Tobe Hooper, estava trabalhando como diretor de cinema assistente em uma universidade, a Universidade do Texas, localizada no coração do Texas, Austin, como cinegrafista de documentário. Ele já havia desenvolvido uma história menor envolvendo os tais "elementos" usados posteriormente, o isolamento, bosques e arvoredos, a escuridão pertinente. Ele teve inspiração na cobertura gráfica da violência de um canal de televisão de São Antonio (cidade do Texas), e claro com base na assustadora história do serial killer da década de 50, Ed Gein que teve seu caso no Wisconsin (Estado americano, aproximadamente há 1.500km do Texas); Gein inspirou alguns outros filmes de terror de renome, tais como Psicose (1960) e O Silêncio dos Inocentes (1991) mas seu caso ganhou a perpétua repercussão mundial com Texas Chainsaw. Durante o desenvolvimento do filme, Hooper experimentou títulos como Headcheese e Leatherface.

O prelúdio de tudo na carreira de Hooper

Mais de trinta anos atrás, a "potência coletiva" da produtora Columbia Pictures esteve em Austin - Texas, com um de seus estúdios caríssimos, uma equipe primorosa de criação de filmes: Blythe Danner, Anthony Perkins, Beau Bridges, um diretor chamado Sidney Lumet, e a conhecida atriz Susan Sarandon, e a mesma produtora já tinha feito na pequena cidade do Texas uma mercadoria rentável com a adaptação do romance The Last Picture Show, dirigido por Larry McMurtry. Um projeto de prestígio financeiro instalado em Chariot Inn, onde Danner tinha um sinal permanente em seu porta- "Silêncio! Mãe e bebê dormindo "- para não incomodar recém-nascida, Gwyneth Paltrow. E a cada dia via-se caminhões e uma super equipe envolvida nas filmagens, fora ônibus espalhados em torno de Bastrop com equipamentos para as filmagens de mais um romance do diretor McMurtry, o filme Leaving Cheyenne.

Em um determinado dia, a produção saiu para o almoço, o pai orgulhoso do filme, produtor Steve Friedman, notou um hippie desengonçado, de cabelos compridos, entrando na fila do almoço no meio da equipe do filme. Friedman então se revoltou e endagou: "Você trabalha no filme?".

O intruso segurando uma bandeja de plástico com duas asas de frango grelhadas, respondeu: "Uh, não."

"Então ponha o frango de volta."

O cara pobre humildemente devolveu as asas de frango de volta para o caminhão de comida e se retirou do local.

Já no ano de 1974, a Columbia lançou um filme chamado Lovin 'Molly do diretor Sidney Lumet, filme que também causou horrores, mas de bocejo nos críticos, pela sua história e extensão de quase três horas de filme.

"Se eu fosse forçado a resumir uma palavra para descrever Lovin 'Molly seria casual, competiria com indiferente também", escreveu o  diretor McMurtry. "Certamente a indiferença do diretor Lumet na localidade era tão grande que ele foi posto ao estresse em ter que sair de sua confortável casa com lareira para gastar as poucas semanas de filmagem que ficou no Texas." Completou McMurtry. Hoje a maioria das pessoas nem sequer tem idéia de que Leaving Cheyenne sequer tenha sido filmado, e ele não está em catálogo nem em lojas de vídeo especiais que possuam a filmografia do diretor.

E o ladrão de galinha? Para que lado ele foi?!

E o hippie que roubou a tal da galinha? Este era ninguém menos que Tobe Hooper. Ele foi de volta para Austin e, antes mesmo do filme Lovin 'Molly ser lançado, e completou de forma independente o filme mais bem sucedido financeiramente da história do Texas, filme este que ainda é mostrado em quase todos os países do mundo e cujas inovações continuaram a influenciar o gênero de terror durante os últimos trinta anos, verdadeiro clássico. Usando míseros 60.000 dólares americanos levantados por um político que apadrinhou o filme, da própria cidade, Hooper filmou a maior parte dele aos arredores de uma antiga casa vitoriana em Round Rock com uma equipe que contou somente dois veículos para a produção, uma van Chevy para os equipamentos de cinema e um Dodge Travco motor home de 1964 que não funcionava, como o vestiário, para os atores.

O resultado disso tudo foi The Texas Chainsaw Massacre, um filme cujo título tornou-se sinônimo cultural da América para perversidade, o declínio moral, e especialmente a corrupção infantil. No entanto, a intensidade pura do filme, técnica surpreendente e reputação como um filme fora da lei trouxeram elogios de um extenso e respeitado grupo, tais como Steven Spielberg, o Festival de Cannes, Martin Scorsese (o filme em cartaz aparece em cena do Taxi Driver), o Museu de Arte Moderna de Nova York, quase todas as bandas de metal dos últimos vinte anos, e a Colombo Crime family of Brooklyn, que alegremente classificou-o lá em cima com "profundo" como uma de suas principais fontes de renda na década de setenta.



O surgimento do primeiro slasher do Terror

Chainsaw foi o primeiro filme real do gênero "slasher", e isso mudou muitas coisas: o código de ratings da Motion Picture Association of America (associação responsável pela faixa etária indicada), o debate nacional sobre a violência, o Texas Film Commission, o gênero de Terror, mas manteve-se um fenômeno curioso isolado. O filme em si, envolvendo cinco jovens numa viagem aventureira através do país, é uma estranha, e tensa experiência, as audiências posteriores ficaram horrorizados; as audiências posteriores riram; recém-chegados ao gênero foram, inevitavelmente, acometidos de um sentimento vagamente inquietante, como se o filme pudesse ter sido realmente feito por um maníaco, mas a história por trás do filme é ainda mais estranha.

"Por que você roubou a galinha?", foi perguntado a Tobe Hooper, já aos 61 anos, enquanto estava em sua sala de estar, em Austin, rodeado por cartazes de filmes de grandes dimensões (incluindo um lançamento francês do Chainsaw) e ao lado de um palhaço robótico assustador usado em seu filme de 1981, The Funhouse.

"Por que eu estava lá?", Diz ele, franzindo a testa. "Eu estava com alguém. Eu não me lembro quem." Diz ao tomar um gole de Dr Pepper.

"Cara, eu apenas não consigo me lembrar", diz ele, por fim. "Eu acho que apenas estava perambulando e eu fiquei com fome."

O filme foi concebido, lapidado, filmado, editado e lançado. Quanto mais você aprende sobre sua criação, menos parece que a invenção de um roteirista ou diretor ou mesmo companhia de teatro, produto da própria Austin, no final de uma era de guerras no Vietnã. Era diferente agora Austin, um lugar onde as canônicas seis graus de separação tinha sido reduzido para um ou dois, onde do governador ao traficante de maconha eram susceptíveis de conhecer o presidente do Serviço Público de Radiodifusão e onde os legisladores, advogados e lobistas poderiam facilmente formar casamentos de conveniência com poetas e cineastas peculiares.

E todos estes anos depois, quase todos os envolvidos se sente permanentemente alterados, permanentemente maculadas pelo filme. Pelo menos o ator Ed Neal, que interpretou o "caroneiro", ele não fala sobre isso sem ficar enfurecido. Robert Kuhn, um advogado de defesa que investiu no filme, iria perder anos de luta para os lucros que deveria ter sido vertidos para Austin, mas em vez disso foram desviados por uma empresa de distribuição. Marilyn Burns, a belíssima atriz que se tornou o protótipo para a "menina final" em filmes de terror, nunca percebeu seu grande potencial, em parte porque o filme era um sinistro. Gunnar Hansen, o islandês-americano de trezentas libras que interpretou Leatherface, o maníaco empunhando da moto-serra (um ícone que inspirou a criação de outros, tais como Jason, Michael Myers e Freddy Krueger), passou o resto de sua vida tentando demarcar uma outra identidade.

"Eu estou feliz que eu fiz isso"... Mas eles provavelmente vão escrever 'Gunnar Hansen, nosso eterno Leatherface' em minha lápide.", diz Hansen.

E Hooper continuava a lutar, agora, trinta anos após o lançamento do filme, contra o estereótipo de ser "apenas um diretor de Terror", enquanto o roteirista do filme, Kim Henkel, tornou-se tão frustrado com uma obra hollywoodiana que ele voltou para Port Aransas no início dos anos oitenta, onde ele permaneceu desde então como um professor universitário de cinema, em tempo parcial na Corpus Christi. Somente o falecido Warren Skaaren, o primeiro diretor da comissão do Massacre da Serra, que se tornaria um dos homens mais bem pagos de Hollywood, e Ron Bozman, gerente de produção do filme, que ganharia um Oscar no ano de 1991 por melhor filme como um dos produtores de O Silêncio dos Inocentes, chegou ao topo de sua profissão. Ainda assim, Bozman diz que o 'Chainsaw' foi sua maior emoção na carreira.

"Foi de longe a experiência mais intensa que tive. Nada se compara a ela para a densidade da experiência. Era um tipo de aventura selvagem." disse Bozman.

Paul Partain e Marilyn Burns
e o "Massacre da Serra Elétrica"

Em entrevista ao site HorrorPit, o finado ator Paul Partain (Franklin) falou sobre sua participação no filme Lovin' Molly e Marilyn Burns, no filme.

Você teve um papel no filme de 1974, no Lovin 'Molly de Sidney Lumet que antecede O Massacre da Serra Elétrica. Eu sei que você já serviu nas Forças Armadas dos Estados Unidos durante a guerra do Vietnã, mas o que traz você de volta a atuar, e como você conseguiu o papel em Lovin 'Molly?
O que me trouxe de volta à atuação foi a necessidade de preencher minha alma. Eu realmente gosto de ler palavras impressas e transformar elas em sentimentos e emoções. A necessidade é muito forte para obter esse 'feedback' imediato que você tem sobe no palco. Quando as palavras são certas e o público está com você, quando as luzes se apagam e eles batem palmas juntos, cara, não há nada como isto. Melhor do que qualquer droga. Eu costumava dizer que eu trabalhava durante os dias para dar de comer ao meu corpo, e durante à noite, para preencher minha alma. Eu sou um viciado em aplausos, simples assim.

No final do outono de '72 eu estava trabalhando em um teatro à noite e tinha acabado de ser despedido da fábrica de produtos eletrônicos (meu trabalho). Lembro-me de chegar ao teatro cedo naquela noite, estava sentada nos degraus da varanda ampla na frente desta antiga casa vitoriana que foi o nosso teatro e foi realmente chateado quando a diretora de teatro veio subindo as escadas. Ela tinha passado a tarde com Sidney Lumet e Stephen J. Friedman, que produziram The Last Picture Show. De qualquer forma, ela veio até mim e perguntou se eu queria estar em um filme com Tony Perkins. Eu não poderia substituir Anthony Perkins, o cara que fez os filmes Psycho e On the Beach e um monte de outros grandes filmes. Eu via ele num misto com George Hamilton, que eu tinha visto em seu Your Cheatin' Heart: The Hank Williams Story, e eu não estava muito impressionado. Mas eu concordei em ir a uma audição que esta bela senhora me proporcionou.

Então, no dia seguinte eu fui no Teatro Zach Scott onde eles estavam segurando o segundo conjunto de chamadas de audição. Se minha diretora do Dinner Theatre não tivesse feito isso para mim, eu jamais teria tido conhecimento que os 'meninos' de Hollywood estavam na cidade. Foi-me dito para conhecer a uma senhora que acabou por ser a secretária de Sidney. Eu a encontrei, ela me deu um par de páginas de roteiros para ler e disse que iria me chamar em cerca de quinze minutos. Então eu fui para uma sala do teatro que estava cheio de atores que esperam sua vez na audição, segundo dia da chamadas. Muita conversa entre os atores universitários e atores de teatro da comunidade e alguns atores de Dallas, Houston e Los Angeles. Eu apenas sentei e li as linhas para mim mesmo enquanto ouvia todo o estardalhaço que acontecia ao meu redor. Para ouvir dizer-lhes que foram os melhores atores que já passaram por aqueles palcos.

Bem, em cerca de 15 minutos a secretária de Sidney entrou e o quarto ficou num silêncio mortal, ela era a chefe e todos na sala sabiam, menos eu, eu continuei lendo, tentando encarnar Willy, o personagem que me entregaram. A senhora se aproximou de mim e disse calmamente: "Paul, Sidney está pronto para você agora." Eu queria ter sido uma mosca na parede naquela hora para ver as caras feitas na sala, na hora que eu saí ouvi alguém falando: "Quem diabos é ele?". Aquilo foi legal. Bem, acontece que meu diretor de teatro já tinha convencido Sidney que precisava me dar uma chance para Willy. Ela disse: "Ele me entregou este tipo personagem perfeito para você." Descobri mais tarde que ela realmente ficou tão impressionada sobre eu ser um estudante rápido de papéis e um ator sério que deu risada, quem sabe?

Quando Sidney e Stephen chegaram na cidade, vieram com o que pensavam ser a fórmula perfeita para o sucesso. Ele tinham trabalhado em The Last Picture Show, e eles sabiam que iriam trabalhar aqui. Foi o romance Get a Larry McMurtry, contratariam seus três atores principais de Hollywood, depois um grande diretor, e todo o resto dos atores e elenco do cenário local e estava definido. Grande plano, e isso quase funcionou, mas o "o que deu errado" levaria mais tempo pra explicar do que vocês queiram saber. Então, Sidney e Stephen vasculharam na cidade, começaram com os grandes teatros locais, colocaram em aberto os seus planos e as descrições dos personagens que precisam e minha senhora disse: "Eu tenho o cara ideal", assim conseguiu a audição.

Então a secretária me levou a esta pequena sala de conferências com Sidney e Stephen, nos apresentou e saiu. Sidney disse: "Vamos ler um pouco." Bem, Sidney pegou um papel, eu outro e Stephen todo o resto. Nós lemos um pouco e Sidney me pediu para mudar as coisas um pouco e tornamos a ler novamente. Em seguida, mudou os papéis e lemos mais uma vez. Em seguida, voltou a como começou. As coisas estavam indo bem e todos nós desfrutamos de brincar com as palavras e Sidney chamou sua secretária e disse-lhe para pegar minhas medidas para os figurinos e depois ele me disse que tinha que ir para Nova Iorque para terminar as audições, mas ele estaria em entraria em contato dentro de duas semanas.

Estava de bom tamanho, duas semanas depois, recebi um telefonema da secretária e foi confirmado o papel, eu sabia que tinha quando pouco Sidney começou a pular para cima e para baixo na audição pessoal. Sempre que você fizer um diretor ter esse comportamento, o papel é seu.



  • Marilyn Burns, que estrelou no Massacre da Serra Elétrica como Sally, foi 'parceira' de Blythe Danner em Molly o Lovin '. Você já tinha uma relação de trabalho com uma futura membra do elenco e companheira no Massacre. Você estava familiarizado com Tobe Hooper, Kim Henkel ou qualquer outra pessoa associada a Massacre naquele momento, ou você ganhou o papel de Franklin principalmente como ator em sua aparição no Lovin 'Molly?

Lembra da senhora que foi minha diretora no Teatro Dinner que 'tocou as rodas' para eu conseguir o papel no Lovin 'Molly? Bem, ela veio interviu no 'Massacre' também. Esta senhora era um professora de Inglês e Drama em uma escola secundária local. Ela conheceu um 'professor-aluno', cujo marido tinha escrito e estava lançando um filme e eram necessários atores.

O professor-aluno era a mulher de Kim Henkel. Isso foi no Teatro Unlimited, em Austin, e a maioria dos personagens secundários do 'Massacre', todos aqueles nas cenas do cemitério no filme, vieram de lá. Edwin Neal também surgiu através deste Teatro. Ele estrelou em "Bell, Book and Candle". Fez um bom trabalho, se bem me lembro. Eu acho que eu trabalhei nas luzes em um desses, ou talvez eu estava brincando com a mulher que cuidava das luzes, não me lembro bem.

Ter trabalhado para Sidney Lumet, como eu já disse, foi eu penso, a chave para conseguir o papel de Franklin. Este é meu convencimento. Espero que as minhas leituras e interpretações tinham tido algo a ver com ganhar o papel também.


  • Seu desempenho como Franklin é muito convincente, tanto em seu jeito de falar e movimentos físicos. Você fez alguma pesquisa, de modo a retratar com perfeição um personagem parcialmente paralisado, ou o foi desempenho com base no instinto?

Eu tinha uma grande experiência com cadeiras de rodas. Meu avô, por sete anos antes de falecer, esteve em cadeira de rodas. Eu soube muito mais desse assunto do que eu sempre quis saber. Não tive que procurar em lugar algum, foi só buscar na minha memória pelos detalhes.

  • Nas filmagens do 'Chainsaw' mais especificamente, a cena da van com o caroneiro (Edwin Neal) continua a ser um segmento enervante, especialmente as cenas da "faca de demonstração". Quanto tempo demorou para filmar a seqüência inteiramente, a partir do momento em que o carona é içado à bordo ao tempo que ele é expulso para fora, e há alguma história interessante que você gostaria de fornecer sobre essa filmagem?

Isso levou um dia inteiro pelo que eu bem me lembre. Como eu já disse antes, 'Ed' é um ator muito competente. Ele e todos os outros já estavam bem preparados, nós só fomos e filmamos. E foi filmado aqui e ali, de todos os ângulos naquela van apertada. O tubo de sangue tomou algum tempo para se acostumar a usar, mas era responsabilidade do Ed. Tenho a certeza que a lâmina estava cega na ponta. Ele pegou o braço de Tobe e tentou cortá-lo fora antes de filmar a cena, antes que eu fosse deixá-los usar aquela coisa em mim. Tobe permaneceu bem, então eu não discuti. Eu realmente só insisti em experimentá-lo em Tobe para ver o que ele faria. Acontece que ele se divertia com isso. Achei bem divertido também. Foi a mesma coisa com a motosserra, mas Tobe já esperava, então acabou que não foi uma piada tão boa assim.

  • A casa da "Família da Serra Elétrica" é um ponto de interesse de fãs e aficionados pelo gênero de Terror e filmes semelhantes. Onde ela está localizada, ela ainda está de pé? E se assim for, ele recebe visitantes de turistas que querem "ver onde foi tudo filmado"?

Ouvi dizer que é em Kingsland, no Texas, onde ela se tornou um restaurante. Duvido bastante que tenham como lema principal "A boa carne é nossa satisfação".

  • Mesmo que o seu personagem Franklin morra no final do filme, ele faz uma breve aparição como um esqueleto em cadeira de rodas na sequência de 1986 do Tobe Hooper, O Massacre da Serra Elétrica II. Qual é a sua opinião sobre o filme, e quais as mudanças, se houver, você teria sugerido para Hooper?

Desculpe, mas eu nunca assisti a sequência do Tobe.

Inspirações de uma sociedade capitalista

Hooper citou fatos da paisagem cultural e política do mundo na época como influências centrais sobre várias coisas utilizadas em sua obra, tal como a clássica aberta do filme com suas palavras de desinformação intencionalmente passada ao espectador: "O filme que você está prestes a assistir é uma história real", foi uma resposta presunçosa e esquivada à "mascaração do governo sobre a atual situação das coisas no mundo", e isso incluía a famosa crise da petrolífera Watergate (um caso de escândalo político que, ao vir à tona, acabou por culminar com a renúncia do presidente americano Richard Nixon do Partido Republicano em 9 de Agosto de 1974), fora "os massacres e atrocidades na Guerra do Vietnã" (guerra esta que terminou em 75). A "falta de sentimentalismo e brutalidade das coisas" que Hooper notava enquanto assistia ao sádico noticiário local, cujo numa cobertura chegou a abordar de maneira cruel e insensível falando dos "restos de cérebros espalhados por uma rodovia", tudo isso seguido de suas crenças de que "o homem é o verdadeiro monstro, apenas veste uma máscara moral, então eu coloquei uma máscara literal sobre o monstro no meu filme".

De onde surgiu a moto-serra (vulgo serra elétrica)

A ideia de usar uma serra elétrica como arma do crime no filme veio para Hooper enquanto ele estava na seção de uma loja de material de construção movimentada com clientes por todos os lados, ele pensou na maneira como poderia furar a fila com uma moto-serra através da multidão.


Hooper e Kim Henkel criaram uma empresa chamada Vortex, Inc., sendo Henkel o presidente da mesma e Hooper o vice-presidente. Eles pediram financiamento a Bill Parsley, um amigo de Hooper. Parsley fundou uma empresa chamada MAB, Inc. através da qual ele investiu 60 mil dólares na produção do filme. Em troca, a MAB ficaria com 50% do filme e seus lucros. O gerente de produção Ron Bozman comunicou a parte do elenco e da equipe que estes receberiam apenas uma parte de seus salários até que o filme fosse vendido a um distribuidor. Para deixar a ideia mais atraente, a Vortex atribuiu-lhes uma parte de seus lucros potenciais, entre 0,25 a 6% por pessoa. O elenco e a equipe não foram informados de que a Vortex possuía apenas metade do filme, o que significava que os percentuais assinados valiam a metade do valor estimado.

Sobre as Filmagens
Edwin Neal sendo preparado e em cena.

O filme foi rodado nas cidades de Austin, Round Rock e Bastrop, no estado do Texas. As gravações duraram cerca de quatro semanas, a partir de 15 de julho a 14 de agosto 1973. Tanto os atores quanto a equipe de filmagem consideravam duras as condições do local. A temperatura era alta durante as cenas, chegando a 36 °C em 26 de julho; a menor temperatura registrada foi de 28,3 °C em 31 de março. As janelas da casa estavam cobertas durante as filmagens, devido às cenas ambientadas à noite. A câmera utilizada foi uma Eclair NPR 16 mm, e a película com que as cenas foram filmadas exigia uma luz quatro vezes mais potente que a normal.

As três máscaras originais do Leatherface do clássico de '74,
ambas feitas pelo designer da produção, Robert Burns.

Por causa de seu baixo orçamento, a equipe de filmagem teve que trabalhar sete dias por semana, de 12 a 16 horas por dia, além de lidar com alta umidade. Muitas das cenas foram feitas em uma fazenda decorada com móveis feitos de ossos animais, que foram cobertos com látex para dar uma aparência de pele humana. Para completar a cena, o diretor de arte Robert A. Burns visitou vários lugares em busca de ossos e animais em decomposição, usados para cobrir o chão da casa. A casa de Leatherface e sua família corresponde a uma fazenda que estava localizada em Quick Hill Road, perto da cidade de Round Rock. Em 1998 a casa foi transferida para Kingsland e transformado em um restaurante.

Devido ao baixo orçamento, os efeitos especiais do filme eram simples e limitados. O sangue usado em uma das cenas era real, na cena em que Leatherface alimenta o avô. Como a equipe estava com dificuldades para produzir sangue falso, Marilyn Burns cortou o dedo com uma navalha. Houve dificuldades durante as filmagens na cena em que Leatherface ataca Kirk com a motosserra. Hansen alertou o ator William Vail que se mantivesse quieto, pois Hansen não sabia lidar com a ferramenta com muita precisão. No momento da filmagem da cena, a serra passou a poucos centímetros do rosto de Vail.

Lançamento e repercussão mundial


The Texas Chain Saw Massacre estreou em 1 de outubro de 1974, em Austin, Texas, quase um ano após a conclusão das filmagens. Ao ser exibido nacionalmente nos Estados Unidos, foi anunciado como estratégia de marketing que o filme estava baseado em uma “história real”, o que ajudou a atrair um grande público, formado majoritariamente por adolescentes.

Em Portugal o filme ficou conhecido como Massacre no Texas e no Brasil recebeu o título de O Massacre da Serra Elétrica, embora o instrumento utilizado por Leatherface para abater suas vítimas pareça ser uma motosserra movida a combustível líquido e não a ferramenta movida à eletricidade referida no título brasileiro.

Assim como varia de título entre Brasil e Portugal, o filme recebeu diversos nomes ao redor do mundo; os principais títulos, com respectiva tradução livre, foram:

Em espanhol: El Loco de la Motosierra (O louco da motosserra), na Argentina e no Chile; Una masacre sin igual (Um massacre sem igual) ou Una matanza sin igual (Uma matança sem igual) no Peru; La matanza de Texas (A matança no Texas) na Espanha; Masacre en Texas (Massacre no Texas) na Venezuela e Masacre en cadena (Massacre em cadeia) no México;
Na Europa: em alemão, Blutgericht in Texas (Massacre da motosserra no Texas) ou Das Kettensägenmassaker (O massacre da motosserra); em dinamarquês, Motorsavsmassakren (Massacre da motosserra); em francês, Massacre à la tronçonneuse (Massacre da motosserra); em neerlandês, De kettingzaag (A motosserra); em italiano, Non aprite quella porta (Não abra aquela porta); em grego, O shizofrenis dolofonos me to prioni (O assassino esquizofrênico da motosserra).

The Texas Chain Saw Massacre arrecadou mais de US$ 30 milhões nos Estados Unidos, tornando-se um dos filmes independentes mais bem sucedidos. O feito foi superado anos depois pelo filme Halloween (1978), de John Carpenter, que arrecadou US$ 47 milhões em sua estreia. O filme obteve o prêmio da crítica no Avoriaz Fantastic Film Festival em 1976.

A reação da crítica foi majoritariamente positiva. A revista TV Guide se refere a ele como "um filme de terror inteligente, absorvente e muito perturbador, que quase não precisa do sangue para representar a violência". A revista Empire descreveu-o como "o filme de terror mais horripilante jamais filmado". Dave Kehr, do Chicago Reader, escreveu: "as imagens impactam mais por sua intensidade que por sua arte, mas Hopper tem talento". Christopher Null, do site Filmcritic.com, acrescentou: "em nossa consciência coletiva, Leatherface e sua serra elétrica tornaram-se tão icônicos quanto Freddy e suas navalhas ou Jason e sua máscara de hockey".


Outros, no entanto, criticaram a violência do filme e seus efeitos especiais. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, escreveu: "The Texas Chainsaw Massacre é tão violento e horrível como o título promete... nenhum propósito aparente, a não ser o de gerar repulsa e medo... no entanto, é bem feito, bem atuado e muito eficiente". O crítico Steve Crum descreveu o filme como "lixo que estabelece novos níveis de brutalidade". Por sua vez, o escritor Stephen Koch, em um artigo 1976, referiu-se a The Texas Chain Saw Massacre como uma "implacável violência sádica, tão extremo e hediondo quanto uma completa falta de imaginação pode gerar".

Com o passar do tempo, os comentários a The Texas Chain Saw Massacre melhoraram. No website Rotten Tomatoes possui 91% de aprovação, com base em um total de 54 comentários, enquanto que no Metacritic tem uma pontuação de 75/100. Mike Emery, do periódico Austin Chronicle disse que o filme era "terrível, mas fascinante ao mesmo tempo... a pior parte desta visão é que, apesar de seus aspectos sensacionais, está longe de ser o que poderia ser realidade". O crítico de cinema Rex Reed se refere a ele como um dos filmes mais assustadores já vistos, enquanto que o escritor Stephen King destacou seu "mérito social redentor". A revista Variety comentou: "Apesar da grande quantidade de gore em The Texas Chain Saw Massacre, o filme de Tobe Hooper é bem produzido para um filme do gênero".

The Texas Chain Saw Massacre tem sido considerado como um dos melhores filmes de terror da história, e a maior influência no gênero. Scott Von Doviak, da Hick Flicks, se referiu a essa obra como "um dos poucos filmes de terror que usam a luz do dia de forma eficaz, desde a horripilante sequência de abertura mostrando um corpo em decomposição na lápide de um cemitério". No livro Horror Films, um dos críticos argumentou que este era "o thriller gore mais efetivo de todos, e, de um ponto de vista mais amplo, está entre os filmes de terror mais eficazes já feitos [...] a força motriz por trás de The Texas Chainsaw Massacre é mais horrível do que a sexualidade aberrante: a demência total".

O diretor Ridley Scott referiu-se a ele como uma fonte de inspiração para o seu filme Alien (1979).  Por sua vez, o cantor e cineasta Rob Zombie afirmou que The Texas Chain Saw Massacre foi uma influência para seu trabalho, especialmente para seu filme House of 1000 Corpses (2003). Ben Cobb, crítico de cinema da rede de televisão Channel 4 o considera "um triunfo do estilo e atmosfera, The Texas Chain Saw Massacre é sem dúvida um dos filmes de terror mais influentes de todos os tempos". O Museu de Arte Moderna de Nova York adicionou uma cópia do filme à sua coleção permanente. A revista Entertainment Weekly colocou-o em sexto lugar entre os melhores filmes cult, e o incluiu entre os 20 filmes mais assustadores de todos tempos. Em 2005, a Total Film realizou uma pesquisa que colocou The Texas Chain Saw Massacre como o melhor filme de terror, superando filmes como Halloween (1978) de John Carpenter e O Exorcista (1973) de William Friedkin. Dois anos mais tarde, a revista Time o incluiu entre os 25 melhores filmes de terror da história. A revista Empire realizou uma pesquisa com críticos de cinema e leitores para escolher os 500 melhores filmes de todos os tempos, e The Texas Chain Saw Massacre ficou em 199º lugar.

Em maio de 2014, uma versão restaurada do filme foi exibida na "quinzena de realizadores" do Festival de Cannes para comemorar seus 40 anos. O filme foi apresentado pelo diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn.

O grupo de punk rock Ramones menciona o filme em sua canção "Chainsaw", presente em seu primeiro álbum. Na Espanha, as canções dos grupos Parálisis Permanente ("Un día en Texas"), Airbag ("Familia de subnormales todos locos") e Siniestro Total ("La matanza de taxis" ou "La sierra es la familia") refletem a influência do filme em suas letras.


Datas de estreia do filme no mundo


1974: Grécia (15 de outubro); Toronto (29 de novembro).
1975: Japão (1 de fevereiro); Dinamarca (14 de julho).
1977: Madrid (30 de março); Países Baixos (10 de novembro).
1978: Alemanha Ocidental (25 de agosto).
1982: França (5 de maio); Peru.
1984: Austrália (9 de fevereiro).

No Brasil a estreia deu-se em 28 de agosto de 1987 e em Portugal no dia 4 de março de 1999 no Fantasporto - Festival Internacional do Cinema do Porto (na ocasião foi exibida a versão sem cortes do diretor).


Hooper esperava que a Motion Picture Association of America (MPAA) desse ao filme uma classificação "PG" (a qual sugere a companhia de um adulto), devido à sua quantidade mínima de gore visível. No entanto, a associação classificou inicialmente a película como "R", (todos os menores de 17 anos devem ir acompanhados de um adulto), após o corte de vários minutos. Aparentemente, um distribuidor restaurou o material ofensivo e pelo menos um cinema exibiu a versão sem corte sob a classificação "R". Em San Francisco, expectadores saíam enojados das salas de cinema e, em fevereiro de 1976, dois cinemas em Ottawa, Canadá foram aconselhados pela polícia local a retirar o filme de cartaz, para que não enfrentassem acusações de caráter moral.

O filme foi proibido no Reino Unido por Stephen Murphy, Secretário da British Board of Film Classification (BBFC) e posteriormente por seu sucessor, James Ferman. Enquanto a proibição britânica estava em vigor a própria palavra "chainsaw" foi impedida em títulos de filmes, forçando imitadores a renomear suas produções.

O filme foi banido ou exibido com muitos cortes em vários países, incluindo Brasil, Chile, Finlândia, França, Islândia, Irlanda, Noruega, Singapura, Suécia e Alemanha Ocidental. Na Islândia o filme foi lançado apenas em novembro de 2000 e na Turquia somente em abril de 2015.

Versões póstumas

Desde sua estreia, The Texas Chain Saw Massacre tem sido lançado em VHS, laserdisc, CED, DVD, UMD e Blu-ray. Primeiro foram lançadas as versões em videoteipe e CED durante a década de 1980 pela Wizard Video e pela Vestron Video.

Em 1984, o filme foi novamente proibido no Reino Unido, devido principalmente a uma onda de pânico moral que envolvia na época filmes com conteúdo violento e/ou ofensivo, os chamados video nasties. Somente após a saída de James Ferman em 1999, a BBFC aceitou a distribuição de The Texas Chain Saw Massacre nos cinemas e no mercado de home vídeo, quase 25 anos após a estreia original da película no resto do mundo.

A versão em DVD foi lançada em outubro de 1998 nos Estados Unidos e, devido a uma controvérsia, apenas em maio de 2000 no Reino Unido. Anos depois, foi lançada um DVD duplo na região 1, intitulado The Texas Chainsaw Massacre: Ultimate Edition, o qual incluía entrevistas, melhorias no som e na imagem, e extras como cenas cortadas. A Dark Sky Films lançou uma nova versão em setembro de 2008, desta vez em Blu-ray. Em 3 de dezembro de 2008 foi lançado um DVD de três discos para a região 2, o qual foi intitulado The Texas Chain Saw Massacre: Seriously Ultimate Edition. No Brasil, um DVD com a versão restaurada do filme foi lançado em 29 de agosto de 2008.

Temas e análises

Representação feminina e violência

Os temas subjacentes do filme têm sido objeto de extensa discussão. Críticos e estudiosos o têm interpretado como um filme exploitation paradigmático em que protagonistas femininas são submetidas à violência brutal e sádica. Stephen Prince comenta que o horror “surge do tormento da jovem submetida à prisão e abuso em meio a armas deterioradas [...] e móveis feitos de ossos e dentes humanos.” Assim como em muitos filmes de terror, este enfatiza a figura da final girl – a heroína e inevitável única sobrevivente que escapa de alguma forma ao horror que se abate sobre os outros personagens. Sally Hardesty é ferida e torturada, mas consegue sobreviver com a ajuda de um homem, o motorista do caminhão.

Os críticos argumentaram que, mesmo em filmes exploitation em que a proporção de mortes masculinas e femininas é mais ou menos igual, as imagens que perduram serão a da violência cometida contra as personagens femininas. O caso específico de The Texas Chain Saw Massacre fornece suporte para este argumento: três homens são mortos de forma rápida, mas uma mulher é brutalmente abatida – pendurada em um gancho de carne – e a mulher sobrevivente passa um longo tempo sendo torturada física e mentalmente. Em 1977, a crítica Mary Mackey descreveu a cena do gancho de carne como, provavelmente, a mais brutal cena de morte feminina vista na tela em um filme distribuído comercialmente. Ela colocou-o em uma linha de filmes violentos que retratam as mulheres como fracas e incapazes de proteger a si mesmas.

Em um estudo, foram exibidos a um grupo de homens cinco filmes que descreviam diferentes níveis de violência contra mulheres. Na primeira visualização de The Texas Chain Saw Massacre, eles experimentaram sintomas de depressão e ansiedade; no entanto, após uma visualização posterior, eles consideraram a violência contra as mulheres menos ofensiva e mais agradável. Um outro estudo, investigando as percepções específicas de gênero em filmes slasher, envolveu 30 homens e 30 mulheres universitários. Um participante do sexo masculino descreveu a gritaria, especialmente de Sally, como a “coisa mais louca” do filme.

De acordo com Jesse Stommel, do Bright Lights Film Journal, a falta de violência explícita no filme força os expectadores a questionarem seu próprio fascínio com a violência que desempenha papel central em sua imaginação. No entanto, citando os rápidos movimentos de câmera, repetidas explosões de luz e impactantes efeitos sonoros do filme, Stommel afirma que a obra envolve o público primariamente de forma sensorial, e não ao nível intelectual.


Crítica subjacente ao capitalismo

O crítico de cinema Robin Wood caracterizou Leatherface e sua família como vítimas do capitalismo industrial, pois sua ocupação como trabalhadores de matadouros se tornou obsoleta em decorrência dos avanços tecnológicos. Ele afirma que a obra “evidencia um espirito de negatividade (...) que parece não estar muito abaixo da superfície da consciência coletiva moderna”.

Naomi Merritt explora a representação no filme do “capitalismo canibal” em relação à teoria de Georges Bataille de tabu e transgressão. Ela discorre sobre a análise de Wood, afirmando que os valores da família Sawyer “refletem ou correspondem a instituições americanas estabelecidas e interdependentes (...) mas sua concretização destas unidades sociais é pervertida e transgressora”.

Outras perspectivas

Na opinião de Kim Newman, a representação que Hooper faz da família Sawyer durante a cena do jantar parodia uma típica família de sitcom americana: o dono do posto de gasolina é a figura do pai provedor; o assassino Leatherface é retratado como uma dona-de-casa burguesa e o caroneiro atua como o adolescente rebelde. Isabel Cristina Pinedo, autora de Recreational Terror: Women and the Pleasures of Horror Films Viewing, afirma que “O gênero terror deve manter terror e comédia em tensão para ser bem sucedido ao trilhar a tênue linha que separa o terrorismo e a paródia (..) este delicado equilíbrio é alcançado em The Texas Chain Saw Massacre, no qual o cadáver em decomposição do Vovô não apenas incorpora efeitos terríveis e bem-humorados, mas, na realidade, usa um para exacerbar o outro”.

The Texas Chain Saw Massacre também tem sido descrito como o “último filme pro-vegetariano” devido aos seus temas ligados aos direitos dos animais. Em um ensaio de vídeo, o crítico de cinema Rob Ager descreve a ironia que há em seres humanos serem abatidos para obter carne, colocando humanos na posição de seres abatidos como animais de fazenda. O diretor Tobe Hooper deixou de comer carne ao fazer o filme, e disse: “De certa forma, eu achava que o coração do filme era a questão da carne, é sobre a cadeia da vida e a morte de seres sencientes”.

Adaptações

Alguns meses após o lançamento da versão em VHS de The Texas Chain Saw Massacre, a Wizard Video criou um jogo de videogame baseado no filme para o console Atari 2600. No jogo, o jogador assume o papel do vilão principal, Leatherface, e tem o objetivo de assassinar intrusos, enquanto evita obstáculos como cercas e crânios bovinos. Por ter sido um dos primeiros videogames baseados em um filme de terror, The Texas Chainsaw Massacre causou polêmica por sua natureza violenta e alguns comerciantes se recusaram a vendê-lo.

Em 1991, a Northstar Comics criou várias histórias em quadrinhos baseadas na franquia The Texas Chain Saw Massacre, as quais foram intituladas Leatherface. A franquia foi posteriormente adaptada pela Avatar Press, editora que publicou a primeira de uma série de histórias em quadrinhos em 2005. Em 2006, a Avatar Press perdeu a licença e o estúdio Wildstorm - subdivisão da DC Comics – encarregou-se de publicar novos números. Estas séries apresentavam novos personagens, sendo Leatherface um dos poucos que apareceu no filme; apenas Leatherface, publicada em 1991, foi baseada em uma das fitas, The Texas Chainsaw Massacre III. A primeira edição vendeu 30.000 cópias.


Curiosidades


- Embora no pôster promocional original e em muitas referências ao filme o título seja grafado como The Texas Chainsaw Massacre, a grafia oficial é The Texas Chain Saw Massacre, conforme mostrado nos créditos de abertura do filme. Este é também o título com que o filme é registrado no U.S. Copyright Office.
- O esqueleto humano na casa no final do filme foi um esqueleto humano real. Eles usaram um real porque um esqueleto humano da Índia é muito mais barato do que um esqueleto de plástico falso.
- A família estava morando na casa que serviu como a casa da família Sawyer na segunda metade do filme. Eles alugaram para fora de sua casa para a equipe de filmagem e continuou a ficar lá durante toda a filmagem. Durante as filmagens, a equipe descobriu que um dos moradores estava cultivando uma plantação de maconha em frente a residência; temerosos de que pudesse atrapalhar as produções do filme se fossem coniventes, os cineastas chamado o xerife, que ele nunca foi para investigar.
- De acordo com John Larroquette, seu pagamento para fazer a narração de abertura foi uma baseado de maconha.
- Quando o filme foi lançado era tão assustador que as muitas pessoas abandonaram os cinemas nos trechos iniciais do filme.
- Marilyn Burns, cujo sua personagem, Sally, foi perseguida por Leatherface pela vegetação rasteira, na verdade sofreu um corte feio em um dos arbustos enquanto executava as cenas finas, acabou que um monte de sangue que vemos em seu corpo e roupas era na verdade real.
- Leatherface tinha "linhas" no roteiro que eram rabiscos com pequenas notas laterais indicando o que o ator deveria fazer.
- Tobe Hooper permitiu que Gunnar Hansen desenvolvesse Leatherface como ele bem entendesse, sob a sua supervisão, obviamente. Hansen decidiu que Leatherface seria um retardado mental que nunca aprendeu a falar corretamente, então o ator foi para uma escola de deficientes mentais e analisou como eles se comportavam para ter uma melhor ideia de como iria agir com seu personagem.
- A trilha sonora do filme contém sons reais de animais em matadouro.


 

- Depois de fazer a maquiagem do velho, o vovô, John Dugan decidiu que não queria passar por todo aquele de processo de preparação novamente, o que acarretou em ter que filmar todas as cenas com ele numa mesma sessão antes que ele pudesse tirar em definitivo a maquiagem. Todo este processo no entanto levou cerca de 36 horas (cinco das quais só para fazer a maquiagem), durante uma onda de calor do verão brutal onde as temperaturas médias eram de mais de 100 graus, grande parte do tempo gastou foi para filmar a cena do jantar, com ele vestindo num calorento terno e gravata, sentado em uma sala cheia de animais mortos e comida podre sem ar condicionado ou ventiladores elétricos. Todos começavam a sentir mais tarde que o mau cheiro da comida podre e o odor de suor da equipe do filme foi tão terrível que alguns membros passaram mal e ficaram doentes só pelo cheiro. Edwin Neal, o insano irmão de Leatherface afirmou: "Filmar aquela cena foi o pior momento da minha vida ... e eu estava no Vietnã, com pessoas tentando me matar, então eu acho que isso mostra o quão ruim foi."

A vista aérea do local original do "Texas Chainsaw Massacre", como está hoje


Recentemente dois irmãos norte-americanos fizeram uma visita ao principal local da filmagem do "Massacre da Serra Elétrica" (1974), com o auxílio de um Drone e uma GoPro fizeram algumas imagens aéreas do chamado Quick Hill, em dois vídeos, confira:


Sobre o Quick Hill, e as casas similares
Quick Hill é o conhecido terreno rural ao norte de Austin - no Texas, Estados Unidos. Foi o local mais usado nas filmagens com a casa original, ao longo da estrada County Road 172, vulgo Estrada do Quick Hill. Apesar disso, houveram outras casas similares a casa na qual o filme foi rodado principalmente, mas que não vieram ao caso de ser usadas, as chamadas "casas gêmeas", que tinham basicamente a mesma estrutura que a que famosa, que tanto conhecemos. Inclusive uma dessas foi abandonada e queimada, extinguindo-se, já as outras foram "reaproveitadas".

Último vídeo que se conhece sobre o local original da casa,
em Agosto de 98, pouco antes da remoção da mesma

Muita gente confunde mas a casa realmente usada no filme não é que hoje fica no atual restaurante/cafeteria (já fizemos uma matéria traduzindo sobre a visita de um fã ao local em 2012, veja aqui), esta já é a que foi removida e transportada, em Kingsland (sendo construído algo como um setor residencial bem próximo e uma nova pista suspensa que antes não tinha), antes tinha uma outra localização no Texas, e em 1998 foi reconstruída com os materiais autênticos, apesar de melhorada e repintada, já como um ponto turístico, passando a ser antes um Hotel, e então o tal restaurante aberto à visitas mais tarde, uma espécie de museu para fãs do Terror. O local original está completamente diferente, e ainda deve passar por novas construções, e tende a ficar cada vez menos em evidência. A auto-estrada vista perto do atual matagal é o que seria mais perto do local da famosa cena final do filme, da dança do Leatherface, mas a trilha e estrada mudaram de localização.

Um fato que ocorreu para o bem (apesar dos elementos históricos), já que havia um novo projeto de planejamento popular para a região mais interessante e a casa estava praticamente depredada, caindo aos pedaços.

Recorte de jornal antigo relatando sobre a casa gêmea

Ótimo vídeo sobre todas as locações do filme recentemente:

Outras imagens dos bastidores

O Massacre da Serra Elétrica (1979) - Trashbook


Fontes: IMBD, Wikipédia, Texas Monthly, Lovin' Molly wiki, Pit of Horror (entrevista com Paul Partain),

Comentários

  1. a mlh materia que eu já vi do MASSACRE

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  2. Que dedicação, hein?! Parabéns ao autor do blog.

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  3. Cara, que dissecação foda, ficou excelente!!! Parabéns!

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  4. Cara, que dissecação foda, ficou excelente!!! Parabéns!

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