domingo, 1 de novembro de 2015

Crítica do primeiro episódio de Ash vs. Evil Dead, e o que esperar da série daqui em diante


Esta crítica é livre de spoilers, para você (se é que existe alguém) que ainda não assistiu ao episódio.



O primeiro episódio de Ash vs. Evil Dead começou bem, deu o passo inicial certo, pegou muita gente de surpresa, para quem esperava mais algo do Evil Dead I, e não do Dead by Dawn e Army of Darkness, que são mais a cara do episódio. É uma estupidez antes de tudo, se alguém esperava um Ash Williams de volta na cabana, talvez aconteça algo assim, mas essa história não tem como ficar presa no passado, os tempos mudaram, as coisas andaram.

Bem, como os tempos mudaram, Ash também mudou, agora vemos um tiozão mulherengo, que vive em seu trailer e para menores detalhes, é muito do que ele faz, ah sim, e trabalha numa loja mísera de eletrodomésticos no tipo Carrefour, bom, que diria ein? O episódio no entanto serve para mostrar que o atual fracassado que não chama atenção pode voltar a ser o que era antes, e que seu lugar é matando demônios, talvez seja seu destino, colou e muito.


Muitos reagiram de maneira positiva e alguns outros de maneira negativa, justamente criticando por ser carregado no humor, mas clima que em minha opinião não deve seguir como padrão para toda a série, por mais que também não deixe de ser uma característica comum. Acredito que esse humor foi proposital em tom de celebração, no fim das contas, quem não ficou feliz com o retorno do querido Ash? E consigo todo aquele universo antigo adorado, novamente à tona, sendo revisitado de maneira estupenda, e o mais importante de tudo, dessa vez fiel aos clássicos oitentistas e o noventista.


Pois bem, o episódio piloto da série foi excelente e satisfatório para quem sabia que a série começaria apostando em algo debochado, ousado e um tanto quanto diferente. Mas como um todo cumpriu com o dever de todo piloto de série pré-concebida como bem-sucedida, tudo o que deveria ter não faltou, abriu o apetite com seu diferencial e deixou o almejado gostinho de quero mais, por outro lado, em outros despertou até sentimento de raiva, por "burlar" sobre o primeiro filme, mas convenhamos esses "críticos"saudosistas chatos de plantão ai são aqueles que sempre acharão defeito em qualquer obra meticulosamente executada, por mais fiel que seja, se não tiver do jeitinho antigo de antes, não satisfaz, parece que esses cabeças quadradas queriam que Sam Raimi filmasse tudo em rolo, com stop motion como efeito, para uma tela de 4:3, com nadinha de CGI, e isso em pleno 2015. Fodam-se esses idiotas!


No mais, outro ponto criticado é a atual idade de Bruce Campbell, alguns boças falaram que está velho demais para interpretar Ash, ainda bem que eles não deram ouvidos à isso, claro que os fãs ansiosos da franquia sempre falaram mais alto, mas isso era de se prever, logo que a própria série tira sarro dessa mudança notável.

Levando em consideração o que Tapert, Raimi e Campbell dessa vez tinham em mãos pra poder trazer de volta Ash e suas abordagens, eu diria que conseguiram da maneira mais coerente o possível, absolutamente perfeito e sem furos não teria como ficar, ainda mais passados tantos anos, mas incrivelmente a história não peca ai, ficou muitíssimo bem explicado dos anos que se passaram na vida de Ash, agora o problema é a explicação para como o demônio retornou para assombrar a vida dele, um tanto quanto forçado claro, para não spoiler, basta dizer que se você se queima com fogo a única coisa que você não fará em seguida é ir novamente brincar com fogo.

Durante o episódios algumas outras questões são inevitavelmente levantadas, como, porque Ash continua com aquela roupa semelhante há usada mais de 30 anos atrás, bem, minha conclusão é que ele se sente com Groovy como soldado de guerra usando aquilo, serve como o uniforme de um soldado, em muitos filmes vemos isso, alguém se veste de tal maneira para se empoderar de seu alter-ego, e SIMPLES ASSIM.


Os pecados de Ash vs. Evil Dead param por ai.

O que era bom, ficou ainda melhor. Se já tínhamos objetos do universo e símbolos únicos da Morte do Demônio antes, agora então está mais completo, vemos todos trazidos à evidência novamente, o sangue excessivo, o boomstick de Ash, o livro dos mortos, o mesmo carro Oldsmobile clássico do primeiro filme (que por sinal também é do próprio Raimi, e fora usado em outros filmes de Sam Raimi como Darkman também), como com o novo bicho de estimação de Ash, Eli. E isso tudo sem se falar nos novos personagens que a trama traz, Kelly, Pablo, Vivian e a ainda desconhecida, Ruby. Todos personagens com capacidade de desenvolvimento, e evolução, logo que todos começaram meio tontos, característica do primeiro Evil Dead, se lembram? Ash no começo era um fracassado, foi no decorrer do filme que passou a se tornar um verdadeiro soldado para lutar pela sobrevivência. E é o que se espera destes coadjuvantes de Ash.

Como resumir? É divertido mas longe de qualquer ridículo, o piloto mostrou um Bruce Campbell bem melhor do que antes como ator, conforme ele próprio comentou no que mais mudou após estes 30 anos longe de seu querido e aparentemente inevitável personagem, ele aprendeu muito mais como ator, e de fato isso é notável, agora vemos um Ash mais aperfeiçoado, maduro, embora que não menos atrapalhado quando lhe convêm.


A fotografia é estonteante, ângulos de câmera e atuação sinceros, carregados de um cinema à moda antiga mas fugido do conservadorismo, conceitual, moderno, e que serve para mostrar que Sam Raimi não esqueceu como fazer o Terror sensacional de sempre que é sua marca registrada, acima de tudo, aliás, nem tudo mostrado é só diversão, nas cenas mais tensas praticamente revemos o clássico Evil Dead só que aprimorado, com maquiagens mais realistas, atuações mais trabalhadas, cenas mais bem projetadas e desenvolvidas com mais profissionalismo e planejamento, e apelando muito pouco para o CGI, e realmente, só em momentos mais extremos e de unindo o útil ao agradável, com os banhos de sangue realistas/falsos (os próximos episódios devem ser ainda mais repletos de sangue, devem mergulhar a câmera na poça) ah, que maravilha o Terror à moda antiga, de sua maneira mais autêntica e visceral, justamente como deve ser. E os conservadores ainda choram? O que esperavam?


O episódio se resume em ser bem satisfatório dentro do Terror/comédia, quanto ao que esperar dos próximos, com certeza o mesmo esmero de sempre, e nos níveis de Sam Raimi, apesar de não contar com a direção do mesmo, a produção já foi encaminhada no momento em que ele decidiu fazer a série, então tenho certeza, não será um fiasco, vocês podem esperar mais um show de ação, excelente produção de Fotografia, episódios envolventes e um tanto quanto cheios do bom e velho Terror, sempre com diversão, aposto que agora na medida certa, um pouco menos ultrajante para os mais saudosistas.

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5 comentários:

  1. Muito boa a crítica.. Concordo plenamente. Ash está de volta em 2015, e trouxe a essência do passado. Isto sim é saudosismo atual. Que a série tenha bons resultados e que dure várias temporadas

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  2. Sam Raimi não vai dirigir os próximos episódios?

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  3. Ninguem se decepcionou com o gore em CGI em algumas partes?

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  4. Boa! Concordei em vários aspectos com a crítica. Inclusive sobre a forma que ele "desperta o mal". Realmente, esperava algo mais assustador, mas inocência da minha parte kkkk Pra que melhor, despertar o mal chapado. Tomara que essa série renda, curti DEMAIS o piloto.

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  5. Ainda muita comédia no episódio 04. O demônio me lembrou do labirinto do fauno.

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