sexta-feira, 24 de junho de 2016

10 Episódios indispensáveis de Contos da Cripta



Você quer assistir ao Contos da Cripta mas não tem tempo ou paciência para enfrentar 2.340 minutos (ou 39 horas) de episódios? Tudo bem, iremos dar a recomendação de 10 episódios essenciais e os melhores de todos, na minha humilde opinião de fã de carteirinha da série... Até porque muitos episódios não valem a pena e outros com exceções de elenco ou curiosidades, não é caso destes 10 eps. Todos são excelentes, de uma forma ou de outra, e são indispensáveis por estarem acima da média, indicado para fãs de Terror anos 80 e 90.


Um fato é que a maioria dos eps. da série contou com plot twists, reviravoltas, coisas que te pegam de surpresa no finalzinho, e isso foi difícil de se esquivar até mesmo nessa lista variada, de seasons variadas, sendo que quatro ou cinco episódios podem ter essas características, mas são todos bons e possuem seus diferenciais, e do primeiro ao quinto são os melhores que já vi da série, indiscutivelmente para mim (podendo alterar as ordens, com exceção do primeiro).

Pensei bastante para poder fazer essa lista, e depois farei outras, com outros temas, então espero que gostem. Segue a lista:

EM DÉCIMO LUGAR:
5x10 – Came the Dawn
Direção: Uli Edel

Quase não entrou na lista, dando possíveis margens para episódios como (plot twists incríveis) "The New Arrival" (4x07) e "Two for the Show" (5x06), e todos merecem destaque, se a lista fosse de 15 eu os teria posto sem dúvidas. E um ep. que me deixou duas horas pensando se substituiria o tal décimo lugar da lista, que é um faroeste sensacional: "Showdown" (4x08).

Esse é daqueles eps. subestimados no começo, como vários, mas que no fim te prende, você simplesmente quer entender o que tá acontecendo. Com a brilhante atuação de Perry King, que facilmente poderia por tudo a perder em seu papel difícil, mas não pôs, e não só não pôs como também foi uma excelente escolha, quem assistir até o final vai entender do que estou falando.



Recomendo como um aperitivo na lista, por si só, é só uma adição que eu achei que ficaria legal na lista, por ter certas peculiaridades de plot twist. Um pouco acima da média, mas na verdade pouca coisa, porque não sai muito desse padrão Contos da Cripta de impressionismos grotescos, sempre repentinos, mas tem algo a mais do que elemento surpresa.

Se encaixa nesta lista por, na minha opinião, poder ser considerado indispensável, mas é discutível.


EM NONO LUGAR:
3x07 – The Reluctant Vampire
Direção: Elliot Silverstein

Com uma impressão mais humorada, esse episódio satiriza de forma genial os vampiros. Com inclusão brilhante de Malcolm McDowell como Donald Longtooth, um vampiro com diferenciais... É um tanto quanto atrapalhado, mas vive fazendo o que poucos vampiros consegue, conciliar um "bom coração" normalmente de natureza humana, com sua própria natureza macabra de vampiro, sedenta por sangue e consigo a violência (bom, ele nem sempre consegue, mas isso cabe a você conferir).

Ele trabalha como segurança noturno num dessas Hemoclínicas, que guardam estoque de sangue. Enredo conveniente? Tudo bem, mas vai por mim, é bem divertido. Ah, e sim, como deixar de mencionar o formidável Michael Berryman como Rupert "Van Helsing"?! Já sobre seu personagem: Um estranho, praticamente lunático, dito caça vampiros, e que por coincidência desagradável acaba por cruzar o caminho de Donald. Daí em diante é hilário, até no seu desfecho.



Em suma, é um episódio diferente, bem criativo e bem humorado, vale a pena para quem curte mais Terror com humor, no estilo Trash, mas ainda é melhor que qualquer tranqueira de vampiro. E por sua audácia diferenciada e roteiro engraçado, não poderia faltar nessa lista, logo... É indispensável.


EM OITAVO LUGAR:
6x01 – Let the Punishment Fit the Crime
Direção: Russell Mulcahy

História que começa de forma um pouco abrupta mas que se desenrola num bizarro espiral de pavor, brincando com um pouco do medo de quase todos, de estar num lugar simplesmente hostil, onde não há escapatória e todos são inimigos. Como num pesadelo tosco e amedrontador, como uma forma de karma em um julgamento para pessoas que fizeram coisas ruins, que são ruins deliberadamente... Um castigo cabal.



Com uma advogada que é julgada por um "juiz" numa cidade estranha (muito estranha... e rígida), por simplesmente passar na cidade com um carro (de outro estado) possuindo um dígito a mais na placa, não previsto em sua vigorosa legislação. Lá as leis de uma sociedade do século XXI não se aplicam, de jeito ou maneira, onde o castigo menos fúnebre são sessões de açoites, um universo paralelo praticamente, e um clima assombroso por si só, nas cenografias, nas cores, nas pessoas.

Condenada a sete açoites, a mulher ainda não consegue cair em si, não percebe onde está, advogada boa que é, bate boca, argumenta, diverge, como sempre com a sua presumível soberba, não percebe que suas deselegantes arrogâncias podem lhe custar caro, senão a sua própria vida. Ela então tem o papel de se recatar pela primeira vez, e se não se puser em seu lugar de réu e desacatar as meritocracias de uma advogada estúpida será "absolvida de si".

Então, como conto que beira o surreal, em suas formas mais escrotas e sinceras, é bem indicado. Apesar de ser um dos mais simples e de certa forma, mais "parados", é um dos melhores no sentido de passar um Terror em sua forma mais genuína, como disse antes, como as impressões de um pesadelo psicótico, este sem fim, e onde a única escapatória parece ser a morte.


EM SÉTIMO LUGAR:
4x06 – What's Cookin'
Direção: Gilbert Adler

Um bizarro conto sobre uma "sociedade" de canibalismo. No seu melhor estilo, e com a participação incontestável e especial: Meat Loaf, que causa trocadilhos com seu nome neste ep. (quem assistir há de entender) até que sinistro e engraçado.



A história é sobre um casal com um restaurante de cardápio diferenciado, faz-se lulas e outra iguarias, mas a cidade parece não apreciar muito o paladar do dono do lugar, que está aos poucos fechando as portas do seu comércio. Ai então vemos drásticas mudanças, quando por intermédio da morte de uma pessoa, carne humana começa a ser servida. Um conto que tinha tudo para ser como outro qualquer, é bacana pelo plot twist, que eu prefiro não detalhar, para ficar mais interessante para vocês. Indicado!


EM SEXTO LUGAR:
2x12 – Fitting Punishment
Direção: Jack Sholder

Um conto focado sobre um jovem que passa a trabalhar numa funerária com o seu estranho, rigoroso e decrépito tio, Ezra Thornberry. Após aceitar a oportunidade, ele começa a perceber que seu tio não é quem parece ser, uma pessoa razoável.



Com um desfecho macabro, esse é, provavelmente, um dos contos mais interessantes da série envolvendo caixões e funerárias, pontilhado pela "maldade humana" que o característico tio do personagem principal representa, as coisas, que começam praticamente mornas e amenas, ficam soturnas e bizarras, nos "negócios da família". Sem mais detalhes.


EM QUINTO LUGAR:
5x05 – People Who Live in Brass Hearses
Direção: Russell Mulcahy

Um conto que não parece ser nada de especial, mas tem um desfecho bizarro, grotesco e impressionante! A história por si só não tem nada de tão destacável, mas é um daqueles casos (senão o maior deles) na série, onde os fins justificam os meios. Com o brilho potencializador da atuação de Bill PaxtonBrad Dourif Michael Lerner.



Um das melhores duplas da série, os personagens de Paxton Dourif, um mais estranho que o outro, e um outro retardado mas necessário, na execução de um plano macabro dos irmãos, para arrecadar alguma grana. Já adianto para vocês: Dá tudo errado! Mas claro, o encanto deste episódio sensacional é outro, está no desfecho e nas tentativas dos irmãos de limpar a "merda" que eles próprios fazem com "papel molhado".


EM QUARTO LUGAR:
5x01 – Death of Some Salesmen
Direção: Gilbert Adler

Um episódio de história não tão original (dentro do estilo da série – uma família estranha, um personagem caloteiro – que vive de suas trambiques) mas possui dois extraordinários e brilhantes feitos: Atuação e reviravolta. Filmagem extremamente organizada, e que não poderia ser diferente, ainda mais para esse episódio em especial.



Com menção honrosa para a atuação de Tim Curry, onde ele faz três papéis diferentes de uma família caipira, inclusive em sua maioria interagindo consigo (Pa Brackett, o pai – Ma Brackett, a mãe e Winona Brackett, a filha). Menção também para Ed Begley Jr., que faz o papel de um vendedor caloteiro e mentiroso, caiu-lhe como uma luva. E uma extra-menção para Yvonne De Carlo (velha conhecida como Lily da antiga série, dos anos 60, Os Monstros), que faz uma pontinha sem destaque, que mais vale pela curiosidade e trivia.


EM TERCEIRO LUGAR:
3x02 – Carrion Death
Direção: Steven E. de Souza


Um dos episódios que mais me marcou nesta série diversificada, facilmente mencionável como um dos melhores eps. de todos. Não com um olhar tão sério de construção de roteiro, mas que é macabro à sua maneira um tanto quanto peculiar.



Um bandido astuto, ladrão por natureza, procurado e às margens de qualquer lei batendo em retirada furiosamente a caminho da fronteira do México mais próxima. Do outro lado, um policial honrado, extremamente persuasivo em cumprir com seu papel perante a lei, seu uniforme e seu juramento se servir a bandeira e a sociedade. Estas são as dissonâncias extremas que brigam entre si, como uma divertida e tensa batalha de ringue entre um dono de cinturão de vale-tudo e seu oponente a todo o vapor.

No desolado calor árido de um lugar hostil e suas armadilhas naturais. Cenários extremos e subjetivos, um lugar onde só os fortes sobrevivem.

Neste conto onde gato e rato são protagonistas, eles parecem se importar mais com a rixa ferrenha do que consigo, e nada poderá intervir de que qualquer um destes dois elementos se enfrente sem um desfecho trágico, mas com um "fator-chave" que claramente promete apimentar a rivalidade implacável de ambos os lados.


EM SEGUNDO LUGAR:
3x14 – Yellow
Direção: Robert Zemeckis

Roteiro brilhante e elenco certeiro escolhido a dedo são alguns dos aspectos positivos e vencedores deste episódio incrível que trata sobre a Primeira guerra mundial, passando-se no ano de 1918 em algum lugar da França. Com o absoluto e extremo comportamento covarde de um soldado, filho de um coronel de alto patamar, que se recusa a lutar na linha de frente.



Uma das cartadas geniais desse ep. é Lance Herinksen, que por sinal participou três ou quatro vezes da série, como vários atores em alta nos anos 90, mas neste episódio em particular, sua atuação é formidável, uma proeza que não se repetiu com diversos dos atores que protagonizaram personagens diferentes e não tão correspondentes à seus protagonistas (tal como Michael IronsideMiguel Ferrer, entre outros), e é digno de ser listado em qualquer seleção de melhores feitos na carreira desse ator versátil de vasto currículo no Terror.

Menção também para Kirk Douglas, excelente atuação. Curioso é o fato de pai de filho atuarem genuinamente num papel de pai de filho (da tríade Kirk DouglasMichael Douglas e o já finado ator Eric Douglas).

Com uma palavra que mais se repete em toda a extensão do episódio, e no seu próprio título, Yellow, que faz uma referência ao amarelo, um apelido vexatório, usado para zombar de soldados covardes, que não honravam seus uniformes e sua pátria, e que tinham medo de morrer. Como é o caso do personagem principal, ele parece não se importar com o apelido como a guerra, por absoluto indulto de seu pai, que não aceita que seu filho seja um amarelão, covarde, desonrado, medroso, sem sangue.


EM PRIMEIRO LUGAR:
6x10 – You, Murderer
Direção: Robert Zemeckis

Essa série tem vários episódios que não valem a pena, de uma forma ou de outra, definitivamente não é o caso deste episódio. Este é, sem dúvidas, um dos melhores contos da série, pode-se dizer que só este episódio seja um espetáculo à parte. É macabrogenialcriativo e à moda antiga. O que não faltam para esse ep. são bons adjetivos.

Ainda sobre a série, uma das minhas principais críticas (em primeira instância) são a duração dos eps., quase sempre sem tempo para desenvolver um enredo e personagens ricos e bem trabalhados, que excedam um certo mesmismo e seja algo impactante, e de fato impressionante, e isso é um defeito a ser estudado em outra postagem, mas fora um certo padrão que os eps. que seguem com um desfecho rápido e nada sorrateiro, novamente, não é o caso desse episódio.



Já sobre o episódio, You, Murderer, vemos algo novo, uma perspectiva visual que já tinha sido usada antes na série, mas que neste ep. conciliou-se com outras características e deu em algo mais do que diferente, esse episódio tem, de sobra, diferencial. E além disso, é um dos poucos episódios que não parece ser tão noventista, envelheceu absolutamente bem (e duvido que vá envelhecer tão cedo), possui uma história que não se preocupa em ser somente imprevisível, é empolgante.

A história quebra todos os padrões de mesmismos do Contos da Cripta, e evidencia uma diferença que é bem respeitável, não trata a morte como algo banal (como fazem diversos episódios – dos quais a maioria aborda temas sobre assassinato, zumbis ou espíritos vingativos).

Com a ironia de uma história contada do final, e a filmagem sistemática em primeira pessoa, o ep. indaga sobre um dos grandes mistérios da vida, a morte, e consigo, o além, de uma forma espetacular. E há de se mencionar, finaliza com chave de ouro o momento exato onde a serie deveria ter parado de vez, houve uma temporada após ainda, mas deplorável.



Este ep. é especial, os próprios produtores sabiam disso, foi feito no fim de um ciclo que eles próprios não sabiam se ia se renovar e no fim da "época de ouro do Terror", os anos 90, um season finale que é como um tributo a série, e por isso, acredito, tanto carinho ao fazê-lo. Com computação gráfica que adicionou na introdução Alfred Hitchcock, como uma pequena brincadeira e satirizando Forest Gump (lembrando que Tom Hanks já atuou e dirigiu um ep. da série), já sucedendo algo que viria depois, como uma espécie de introdução, mas de algo praticamente irrepresentável.

E uma das menções mais incríveis (sobre uma das coisas mais incríveis que já vi em séries) é a adição em efeitos especiais computadorizados (até um feito surpreendente para a série, em tal época) com a face do ator Humphrey Bogart (em seu amontoado de expressões quase sempre catatônicas), vale salientar, o famoso dos anos 40 morreu em 1957, interessantemente "ressuscitado" numa perspectiva que concilia a morte dele a um enredo que se conta do fim para o começo, numa qualidade quase fantasmagórica de sua aparição e com feições frias,que de início pode parecer esquisito mas casou consigo, trazendo um conto parecido com algo no estilo de Twilight Zone.

Vale a pena!

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2 comentários:

  1. Tenho o DVD da terceira temporada e são demais. Assistia os episódios na Band, e no youtube. Adoro o Romance, Abra cadaver, o do homem que forja a morte pelo seguro e leva um golpe da mulher que fica com o irmão dele. e tantos outros. Queria uma coleção de DVD dublado!
    O humor é sensacional.

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