sexta-feira, 3 de junho de 2016

Crítica: A Sétima Vitima (1943)

Direção: Mark Robson | Escritores: Charles O'Neal, DeWitt Bodeen | Estrelando: Kim Hunter, Tom Conway, Jean Brooks, Isabel Jewell, Kim Hunter, Evelyn Brent | Tipo: Preto e Branco | País: Estados Unidos | Língua: Inglês americano | Lançamento: 21 de Agosto de 1943 | Duração: 71 minutos





É bem raro um filme do antigo cinema de Terror construir com tanta insistência a curiosidade em um personagem que não seja um vilão asqueroso ou bizarro atacando e matando, acabando exposto principalmente nas cenas finais, e pode-se dizer que até nos dias hoje isso é incomum, mas acontece em poucos filmes como é o caso em "A Sétima Vítima" de Mark Robson (diretor de filmes como A Ilha dos Mortos (1945), Asilo Sinistro (1946), entre outras participações importantes em produções como Sangue de Pantera (1942), e  A Morta-Viva (1943) de Jacques Tourneur).

Com o defeito de ironicamente também ser insistente em não apresentar uma premissa muito instigante como Horror, talvez por isso ele nem sequer seja apropriadamente considerado um grande filme por muitos, mas não há dúvidas, os momentos pavorosos estão presentes e a tensão em diversas cenas é algo a ser observado de uma maneira carinhosa.


O título por si só já mostra bem o que é esse filme, muito enigmático até as cenas finais onde tudo é percebido e compreendido (ou ao menos quase tudo), o que seria a "Sétima vítima"? Porque desse título? E isso me chamou atenção, me lembrou bastante (sem comparações) ao À Meia-Noite Levarei sua Alma, quando simplesmente a julgar pelo titulo pode dar a entender que se trate de algo que seja ocasionado por algum protagonista e não a ele em si, o mesmo caso para ambos os filmes na história inclusive, ambos (Jacqueline e Zé) são ocasionados por um mal e não são os causadores. Apesar de tudo "À Meia-Noite Levarei sua Alma" se mostrou um Terror muito mais corajoso, obscuro e visceral com recursos escassos.

"Fraco" para um Horror no nível de Alfred Hitchcock e quase que inconclusivo demais para ser um filme de longa-metragem, praticamente não nos introduz a elementos novos ou originais. Fora tudo isso, a história é confusa e não tem uma linha e contada de forma nada linear, deixa muita coisa sem uma introdução apropriada ou ao menos uma explicação e pode ser bem mal interpretado.

Uma das grandes impressões que A Sétima Vitima causa é de um filme obscuro, com cenários escuros, formas e silhuetas nas sombras (como pode ser visto na imagem acina), e com o aditivo de cenas tensas com a contribuição do efeito de película preto e branco que ocasiona ainda mais esse efeito e sentimentos doom nada contentes, e ficou bem peculiar.
O Satanismo no filme
Sempre vemos em filmes com contextos satânicos um potencial para desenvolvimento de algumas cenas mais violentas e bizarras, com este filme não tem isso, a característica em potencial tornou-se um dos pontos fracos e mais inconclusivos que surgem quando se trata de contexto, e foi o que mais me chamou atenção nessa obra fora a atuação de Brooks, o desperdício de um enredo com potencial para criar um satanismo tão obscuro e macabro, bem pouco explorado e absolutamente superficial deixando a possibilidade de ter se tornado um possível clássico do gênero, na minha opinião teria se encaixado muito bem com o propósito do filme, para ser somente mais um filme legal.



Em uma das cenas finais do filme vemos um tosquice absoluta quando dois personagens garantem que podem provar que Deus existe quando começam a citar o Pai Nosso para o tal grupo satanista e eles então começam a se arrepender com olhares penosos e tristonhos, um desperdício total de potencial com a visão limitada e até (pasmem) preconceituosa sobre satânicos, quando na verdade poderia (e deveria) ter sido feito justamente o contrário, com um estimulado mais extremo e levado como um posicionamento mais sério de quem pratica, grande erro.

Miss Jacqueline (Jean Brooks) a atriz e personagem que fazem o filme valer a pena

Embora tenha todos os defeitos como um filme de terror, deixa o melhor de si para o final quando traz uma personagem nada carismática, mas muito cativante de ser assistida, com uma apática aparência e de melancólica num olhar morto, miss. Jacqueline, a maravilhosa interpretação de Jean Brooks que faz o papel de uma mulher de natureza bondosa mas que acaba, por motivos estranhos, se envolvendo em um estranho caso de assassinato e luta com seu obscuro lado interno de desejos macabros, após se envolver com uma sociedade de satanistas que não aceitam um "posicionamento seu", ela então passa a lidar com as consequências de tentar romper com o tal clube oculto (não se sabe porque ela se juntou a eles).



A atriz é o o que faz o filme valer a pena, a despeito da construção de uma espectativa estranha sobre seu personagem, a atuação que ela entrega corresponde porque é impecável, o look da personagem é tão impecável quanto e eu digo com convicção e sem medo de estar errado, Jean Brooks poderia tranquilamente conduzir o filme com sua personagem do começo ao fim e teria sido muito mais impressionante do que foi, não era necessária essa espectativa inflada, mas para tal feito seria necessaria uma drastica mudança no roteiro com algo mais pavoroso e digno dessa personagem e atriz que estão acima e anos luz a frente do roteiro e dos outros personagens.
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