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Crítica: Contos da Cripta – 1x01: O Homem que era a Morte


Título Original da série: Tales from the Crypt | Título Original do episódio: The Man Who Was Death | Episódio: 1ª Temporada, episódio 1 | Direção: Walter Hill | Roteiro: Walter Hill (screenplay), Robert Reneau (screenplay) | Exibido: 10 de Junho de 1989 – No Brasil, exibido na BAND dublado | País: Estados Unidos | Linguagem: Inglês americano | Estrelando: William Sadler, J.W. Smith, Roy Brocksmith

O Homem que era a Morte é o primeiro episódio dessa saga de lendários contos do cinema unidos num mutirão de histórias originais e cativantes, que foi o Contos da Cripta. Uma grande surpresa para os fãs do gênero no final dos anos 80, tempos de TV de tubo, VHS e locadoras, época de ouro do slashers e suas diversidades e criações, e fase marcada também pelos diversos clássicos oitentistas que ganhavam a televisão no final dos 80 e começo dos 90, como Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo e com o nascimento dessa série na Televisão, só se propagou ainda mais um elemento de cultura popular de Terror por entre os jovens, que já eram os mais que consumiam tal tipo de cinema.



Como primeira grande menção, que quero deixar já no início desse texto é o fato da série ter tido sucesso fazendo algo extremamente novo e diferente (mesmo com os contos já antes mostrados), como o mundo já havia visto em poucas séries de Terror e ficção, tais como Além da Imaginação, Galeria do Terror e Monsters. Novamente o Terror conseguia essa proeza. A despeito de comparações, Tales from the Crypt conseguiu bem fazer um estilo novo, sem invadir o território de outras séries antecessoras.


Sobre o ep.: Bom, é de qualquer maneira especial, seja por marcar o início de uma das séries mais amadas de Terror já feitas (e mais importantes também) ou por ser o ponta-pé inicial, eu não acho que seja o melhor episódio de toda a série, mas começar com ele me pareceu uma escolha muito equilibrada, eu diria que até previu um pouco de muito do estilo da série (embora esse seja excelente)  – história bacana, reviravoltas, um anfitrião piadista. Infelizmente, há de ser dito, alguns eps. caem no mesmismo de histórias semelhantes no ponto mais crucial, e finais previsíveis, mas sempre com elenco brilhante, com atores muito bem escolhidos a dedo em papeis que quase sempre vieram a calhar, coisa que também nos faz querer assistir sempre mais.

Uma das grandes sacadas desse episódio é começar direto, sem enrolações, se apresenta como série com o despudor que carrega até o último ep. mas sem nenhum apresentação, aliás, muito em conforme com o episódio, direto ao ponto e não há tempo para secundariedades, e como não dizer que ao fim dessa temporada de 5 episódios, o guardião da cripta já não era uma lenda?


Na verdade, a apresentação do host, o anfitrião desse show, o crypt keeper fica por conta do episódio seguinte, quando vestido de papai noel ele nos mostra um dos melhores remakes que a série fez, em comparação com um conto já apresentado no clássico filme Contos do Além (1972) de Freddie Francis. Ainda, em tal data ainda, com um host diferente, e com contos conexos, que se interligavam brilhantemente, desaguando num final interessante.

Outra grande sacada desse ep. é o tema e seu personagem central, o corredor da morte e o carrasco. Algo pavoroso, assombroso, desgraçado, e que nada mais é que uma forma de assassinato amparada pela lei, o que por si só já é contraditório, mas quem fez coisas ruins tem que pagar e o troco é sempre com a mesma moeda. Bom, ainda nesse período algo mais macabro como a cadeira elétrica é parte importante do elemento de se apavorar, ainda mais como nos é relatado, antes da morte, só que como vemos também, este mal em serviço de um bem maior não tem como ser uma faca de um gume, como quando um determinado cidadão quer fazer justiça com as próprias mãos.

"Nossa história é sobre um homem com nobres ambições, ele gosta de matar pragas humanos... E ele fez isso em frente de uma audiência. Agora, isso sim que é entretenimento!" diz o crypt keeper nos minutos iniciais da série.

Sobre o episódio

O personagem Niles Talbot, interpretado por William Sadler (creditado como Bill Sadler) é a identidade do episódio, um sádico e frio sujeito que abomina criminosos sem freio moral, assassinos, ladrões, estupradores, mas que no fim das não passa da farinha do mesmo saco, e acaba se cegando com tanto ódio após ser demitido do emprego de carrasco em uma prisão, no final da década de 80, onda as cadeiras elétricas começaram a ser desusadas como ferrenhos meios de execução. Talbot se vê indignado, para ele retirar isso é dar margem para os marginais, era revogar o temor de um sistema que por mais que pudesse falhar, ainda assim, quando condenasse, seria implacável, brutal e violento.



Talbot se vê desconcertado e amargurado com a perca de seu emprego de muitos anos como carrasco, na realidade ele acredita ter sido substituído de diversas formas, e isso é inaceitável, em sua mente vendida como coerente mas que já permeia o insano e doentio nas entrelinhas do cotidiano, ele então se vê no dever de fazer justiça com as próprias mãos, isso é quem ele é... Matando bandidos claramente sanguinários, inocentados diante de brechas de um sistema de justiça falho.

A interatividade de Talbot com o espectador foi uma adição fantástica, forma mais que certeira de fazer a inclusão de quem tá assistindo ao universo novo que era não só este episódio, personagens e história, como a série em si, e a boa aceitação vem destes pequenos detalhes, e neste ep. ajudou muito a entendermos melhor o que se passava na cabeça de Talbot, um homem sem amigos. Esse foi um toque especial.


No geral, o episódio se resume a isso, Talbot, o tipo de antiherói que não se converte, e se julga superior porque acha que puxar a alavanca é um prazer para si e um enorme favor e contribuição para a sociedade, ele cria essa fama e só percebe que já cruzou a linha entre o crime e a justiça com as próprias mãos.

A série foi um sucesso absoluto e algo imbatível ao seu tempo, e nunca depois conseguindo ser imitada, dando margem para diversas outras séries (nem de longe tão boas quanto essa) e outros filmes, tal como o Demônios da Noite (1995) de Ernest R. Dickerson, e séries como Goosebumps, Clube do Terror, The Outer Limits (1995),  fora uma série animada em 1993.

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