terça-feira, 21 de junho de 2016

Crítica: The Deliberate Stranger (1986)

Direção: Marvin J. Chomsky
Roteiro: Richard W. Larsen (livro), Hesper Anderson
Estrelando: Mark Harmon, Frederic Forrest, George Grizzard País: Estados Unidos
Filmagem: Califórnia, Estados Unidos
Data de exibição: 4 de Maio de 1986
Duração: 185 min







A crítica de hoje é sobre The Deliberate Stranger, filme de televisão estrelado por Mark Harmon, de 1986. Baseado no livro de Richard W. Larsen. Exibido em duas partes pelo canal NBC. Estou fazendo essa crítica para quem quiser evitar de ver o filme, se você já tiver pesquisado sobre ele, já deve saber que não é exatamente um Terror, não há mais que duas ou três cenas de violência, no ápice no final de sua segunda parte, mas como estamos fazendo uma semana de postagens sobre Ted Bundy, faremos também a crítica sobre os filmes influenciados pelo seu caso. Mas esse filme no seu geral, é mais para quem busca algum estudo sobre Bundy.


60% drama, 25% investigação 15% terror, apesar de ser sobre um dos psicopatas mais brutais dos anos 70, aborda muito mais um universo indireto, que ele propriamente, é um filme com o ângulo das vítimas, com um Ted Bundy superficial, amêno de seu lado sombrio e doentio, com diferenças de uma história com ângulos divergentes: a namorada dele (enquanto levanta suspeitas mas nada faz), o convívio de suas vítimas e família, investigadores, etc). Como drama esse filme é um desastre, não tem acompanha personagem algum praticamente, constantemente muda de drama em drama dos parentes e amigos de vítimas. Como filme de investigação é uma falha das grandes, e é um elemento secundário, e como Thriller ou mistério também é sem sal, não é envolvente, não é chocante, e quase não é o Ted Bundy que conhecemos.

Com um ator galã e a escolha do ator mais simpático de todos, até demais, quase um James Bond mas nas raras ocasiões em que quer fazer uma cara de nojo, ele consegue ser realmente esquisito.



O filme mostra a velha tática do braço numa tipoia, e como filme biográfico é uma peneira. Muda o nome das vitimas e até circunstancias, cenários e a história de forma conveniente demais, poderia ter se mantido fiel, seria muito mais interessante. Com o grande pecado, não mostra a violência, mostrando só um lado do Bundy.

Esse filme pode ser todo imperfeito como algo que se diz biográfico mas no mínimo o clima, imagem, Fotografia são os melhores entre todas as biografias em filmes do Bundy que já vi, representou muito bem o espírito dos filmes dos anos 80. Parece que essa versão do Ted interage mais com mulheres de forma amigável e um lado que embora sido explorado originalmente. E por outro lado mostra um pouco mais do que o normal do cotidiano de parentes mais próximos das vítimas de Ted e isso é muito original e impensado.



Com 2 fuscas, um azul e um amarelo, que foi sua marca registrada, vemos a mudança de Ted para Utah e as primeiras suspeitas de sua namorada.

A ausência de violência e sua explicitude nas entrelinhas (ao invés de mostrar as cenas das vítimas morrendo corta pro fade out, brochante) na certa foi o que fez esse filme cair em esquecimento com o decorrer dos anos, com desperdício de um potencial para ser marcante como terror nos anos 80, no entanto há maior enfoque no rastro de destruição familiar deixado por Bundy.



Nesse filme vemos um Bundy que age pelas brechas de uma polícia absolutamente incompetente, tal como uma cena onde os pais de uma garota (maior de idade) desaparecida vão a delegacia pedir uma investigação sobre ela, e a polícia dá uma bronca neles dizendo que não podem fazer nada e eles como bons pais deveriam tê-la vigiado. Surreal. 

Em outra cena, vemos que há um relato sobre Ted Bundy feito na delegacia, a polícia ouve a tal pessoa e simplesmente põe as anotações numa pilha de papéis com outros suspeitos. Em outro caso, um policial praticamente ironiza miseravelmente da descoberta (tardia) de que poderia haver conexão entre os casos do ainda suspeito Bundy, sempre mulheres jovens e na maioria universitárias, porra, uma obviedade, mas tudo bem.

Fatos reais, segundo o filme e suas datas

A primeira cena onde vemos alguma agressividade por parte do Bundy é quando aborda uma mulher (o caso real de Carol DaRonch) mas bem diferente de outros filmes, como o Ted Bundy de 2002, onde a cena é numa estrada, com um dia ensolarado e a mulher é salva por um caminhoneiro. Apesar da versão deste filme ter sido mais condizente com os fatos reais, a do outro filme ficou mais tensa - talvez por causa do fato de no outro podermos ver um lado obscuro de um Bundy temível, neste filme omitido.

Em outra cena, Ted bundy ataca a instrutora de Ski, ficcionalmente chamada de Joann Baker (Julie Cunningham na vida real), no filme os fatos ocorrem em 12 de Janeiro de 1975, quando na realidade foi em 15 de Março do mesmo ano. O filme ameniza tanto que a vítima na realidade foi morta brutalmente com o crânio fraturado mas no filme aparece sem vestígio algum de sangue em seu corpo, sendo carregada por Bundy na neve, pelo menos isso tenho de dar créditos ao filme, a cenografia dos climas e locais montanhosos do Colorado foram fiéis.



16 de Agosto, 1975 - Salt Lake - A cena da primeira prisão de Bundy não é nada fiel, ele simplesmente é perseguido, do nada, por um policial que sem querer focou o farol em seu rosto dentro de um carro ao virar a esquina e suspeitou, quando na verdade sabemos que a primeira prisão de Bundy aconteceu em uma blitz, sucedido por uma pista em seu cartão de crédito ----- ai então, de repente a perseguição acaba, o policial aborda ele com uma lanterna e foca em seu porta-malas com materiais suspeitos, agora sim semelhante aos fatos. Fora isso, sabemos que a prisão ocorreu na Flórida.

Em 2 de Outubro, 1975 - fielmente - ele é identificado numa fileira entre suspeitos. Um lado eu tenho de elogiar, se o lado brutal não foi mostrado, o lado do cinismo extremo e dissimulado de Ted foi passado com rigorosa precisão. Inicialmente na cadeia ele próprio se vende como o mocinho vulnerável e se julga absolutamente desconcertado e envergonhado por ser comparado com um psicopata do nível que o acusam, essa cena ficou sensacional e não poderia ter sido mais condizente com o próprio Bundy, que negou até, literalmente, o último segundo de sua vida confessar seus crimes.

23 de Fevereiro, 1976 - Acompanhamos uma sucessão de sessões judiciais na corte e ele é acusado de sequestro agravado.



A fuga de Bundy é uma das piores retratações desse filme, ele simplesmente pula uma janela e caminha rapidamente, o outro de 2002 foi bem mais realista, sendo que na verdade dizem até que ele machucou o calcanhar na queda. Ele então é capturado, na sequência, de forma quase passiva demais, a versão de 2002 também é melhor.

30 de Dezembro, 1977 - Então vemos a versão da sua segunda fuga, na prisão.



No finalzinho já da segunda parte vemos algumas cenas de morte, algum sangue, até empolga mas só fica nisso, não tiveram coragem de mostrar a morte de uma garota de 12 anos (a sua última vítima), nem uma retratação da cena da sua própria execução porque ainda não se sabia o decorrer do processo, embora garantido, já no corredor da morte.

Em suma, essa minissérie de dois episódios é boa para quem busca visualizar com o máxima da ilustração visual possível o lado mais simpático de Bundy, apesar de ter um final excepcionalmente envolvente, demora demais para chegar a tal ponto, onde as rédias da violência finalmente aparecem mais, mas se você quer um filme de Terror, tente o Bundy de 2002.
O filme nas mídias


Tiragem de Jornal, datada de 4 de Maio de 1986 – por Monica Collins

O Bundy de Harmon é um mistério nesse "Strange"

ASSASSINO CHARMOSO: Mark Harmon estrela em Deliberate Stragner como Ted Bundy, que aguarda na Flórida por sua execução por assassinato.

Mark Harmon é muito bonito e 'plastificado' como um psicopata.
     Nem a beleza de Harmon ou sua "plasticidade" importariam se fizessem nos esquecer de suas qualidades.
     Infelizmente, enquanto se assiste o Deliberate Stranger não dá para evitar de se pensar que ele empresta tanto talento aqui, quanto nos dias fazendo comerciais da cerveja Coor (marca americana) – magro como uma hóstia, além de figurante, estrelando o naco Harmon.
     Como o serial assassino Ted Bundy – um complexo cara que literalmente matando com o seu charme – Harmon é supostamente a beleza do lado de fora, e feio e deturpado por dentro.
     Ele nunca revela uma alusão a esta 'feiura', nem da inclinação perversa que levou Bundy ao massacre de jovens mulheres. Ele não permite nenhuma brecha de entrada na mente do assassino. Sem revelações – nem no mistério.
     A fascinação de Bundy – que atualmente está no corredor da morte, na Flórida – Se aproveita da ironia de sua beleza/inocência. Aqui como um assassino que se passava pela sociedade como como um bacana e vivaz tipo de cara. O justo tipo que mulheres acham irresistíveis.
     Bundy era uma promessa comprida. Aliás, nos arredores da cidade de Seattle, ele era admirado e respeitado. Ele tinha uma namorada, Cas (interpretada aqui por Glynnis O'Connor) que adorava ele. E um de seus melhores amigos era um repórter do jornal local que depois noticiou a sórdida e violenta trajetória de Bundy num livro, no qual este filme de quatro horas da TV é baseado.
     A procura da polícia por Bundy é uma história fascinante por si só, já que o assassino deixou para trás um rastro de sangue além das fronteiras de quatro estados. Mas o "Strange" parte de uma simplória e selvagem perseguição, com uma polícia atraída.
     Apesar de O'Connor entregar uma performance ótima como a mulher injustiçada, o resto do elenco desaparece nas sombras. Harmon como Bundy é o que mais está nas 'sombras'.
     Quem é esse cara? Quem não é? Quem se importa?
     Harmon tem uma forma irritante de prender seus lábios e tomar um gole antes de uma "grande cena". Ele diz "ae" em vez de "você".
     Esse é um filme é uma "fofura" da Califórnia. Não é uma "carne de primeira" de um prestigioso filme de TV.

Curiosidades

Ted Bundy, ainda estava vivo quando o filme estreou, embora que já no corredor da morte e com seu caso avaliado em última instância pela suprema corte dos EUA, e se negou a assistir a estréia e o filme "The Deliberate Stranger" na TV.
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