sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Memorabília: Christopher Lee na 1ª Edição da revista Fangoria (Agosto, 1979)





Matérias traduzidas da revista americana Fangoria para vocês. Fangoria Magazine para quem não conhece é uma das maiores e pioneiras revistas do gênero de Ficção científicaTerror Fantasia em geral, escrita por Kerry O'Quinn. Tendo esta por sua primeira edição inaugurativa em Agosto de 1979. Muito bem sucedida, a revista por décadas a revista trouxe reviews, análises, críticas, notícias e bastidores dos mais diversos filmes, produções e sobre atores, no mundo do cinema do gênero. A revista mensal já teve mais de 300 edições desde o seu lançamento, sempre com um lançamento mensal sendo e vale lembrar que é um projeto que se expandiu, continuando na ativa até os dias atuais. Vocês podem conhecer melhor sobre a revista no site oficial: http://www.fangoria.com.






Matéria recortada em partes para melhor tradução
Fangoria O Quinn #1 (1979) - página 15 - 20 / continuação pag. 72



Depois de duas décadas de 'distribuição de papéis', Christopher Lee celebra sua triunfante despedida das monstruosidades nesta entrevista exclusiva.


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Acima: Episódio "Earthbound" da série Espaço: 1999, Christopher Lee representou Zandor, um alienígena. Esquerda: No clássico "O Vampiro da Noite", Lee alcançou um status monstruoso como o vampiro soberano.



Sua face pairava ameaçadoramente na minha memória. Primeiro uma horrível fisionomia amedrontada surge, como num caso avançado de borbulha terminal. É o Christopher Lee, em seu primeiro papel inovador, como o inumano monstro em "A Maldição de Frankenstein". Em seguida veio uma visão ainda mais horrenda: Gélidos olhos vermelhos encarando de fora de uma inumana face diabólica; os ténues, esbranquiçados, lábios sem sangue, desenhados à fora de um sorriso sedento por sangue, revelando dois longos, afiados e encharcados dentes caninos. É em parte no que se baseia a reputação americana de Christopher Lee. É um papel para o qual ele retornou oito vezes. É o próprio "Príncipe das Trevas", conde Drácula.

Ou devo dizer era, porque o Christopher Lee de 1979 não é nada como as recordações brutais que qualquer pessoa que tenha visto suas performances pelo Hammer Studio da Inglaterra. À medida que o alto, culto súdito britânico, agora reside nas Américas, criou seu mais recente papel em "Aventura na Arábia" do produtor  John Dark e diretor Kevin Connor, outras performances escanteiam sua imagem como fabricante de monstros. Embora interprete um feiticeiro do mal nesta fantasia das Arabias, ele revela um talento tão pronto e uma reprodução tão óbvia que classificar o cara como ator de terror de repente parece grotesco.



De volta no camarim nos Estúdios Pinewood na Inglaterra, Christopher Lee, resplandecente em seu roupão de mago negro. "Eu fui inquestionavelmente re-escalado (várias vezes para o mesmo papel)." ele admite facilmente. "No entanto, de modo geral, filmes de terror apenas constituem 10 por cento de toda a minha carreira, eles fazem tanto borborinho que automaticamente as pessoas me associam com esse tipo de filme. Isso é por causa do sucesso desse tipo de filme ao redor do mundo que eu tenho que pagar a pena de ter que ser re-escalado diversas vezes. Mas, ai de mim! Alguém tem que sofrer para ser amado."

O sorriso irônico do ator evidencia seu comentário sarcástico, mas, por um período de quase 12 anos, não era motivo para rir. Após a sua grande característica, seu clássico, "Vampiro da Noite" fez o gênero em 1958. A performance de Lee foi relegada, quase que exclusivamente, para o gênero de terror, mesmo apesar dele não ter interpretado o papel do vampiro novamente até 1966. Entre tempos de garras, ele encenou A Múmia na versão de 1959 da Hammer, um perverso vilão oriental em "A Seita do Dragão Vermelho"...




"Aeroporto" de '77 deu à Lee uma chance de interpretar um trágico herói.



... Um pirata assassino e francês em "Piratas do Rio Sangrento" e vários outros papéis na Inglaterra e outros lugares mais, no exterior, todos dando novos adjetivos para papéis sórdidos.

"Infelizmente, na época," Relembra Lee, "Eu me encontrei frustrado por causa audições para atores, especialmente na Inglaterra, era extremamente conservador, cheio de cautelas e enormemente competitivo. Eu estava ficando travado; Não há absolutamente a menor dúvida. As pessoas costumavam fazer comentários sobre como eles não puderam usar Christopher Lee em seus filmes porque todo mundo viria a pensar que seria um daqueles filmes. Era um pensamento extremamente limitador e extremamente limitador para mim."

Infelizmente, muito do ator diverge com a cênica e talentosa necessidade de se alimentar, então, com a combinação crescente dos estúdios da Hammer com a nova geração de fãs de terror americano, Lee retornou à parte que lhe deu maior notoriedade — o famoso vampiro mundialmente, Drácula. Conforme ele partiu de "Drácula: Príncipe das Trevas" para "Drácula, o Perfil do Diabo", até "O Sangue de Drácula", para "O Conde Drácula", para "Drácula no Mundo da Minissaia", para, finalmente, "Os Ritos Satânicos de Drácula" (recentemente re-relançado como Conde Drácula e com sua noiva vampira), a qualidade da série de filmes despencou e a insatisfação de Lee com sua carreira se elevou.

"Você sabe, eu não estou certo se meus fãs americanos tinham razão... Deixe-me pôr dessa maneira... Me proclamar como sucessor de preferências tais como Karloff e Lugosi. Bem, Karloff e Lugosi foram dois gigantes, então não há nada em ser estar em suas companhias, mas sejamos honestos, há muitos outros mais que foram postos de lado pelo stigma do terror. Eu gostaria, se me permitirem, de adicionar o imortal nome de Lon Chaney, o maior de todos. Aí então há Frederic March, Lionel e John Barrymore, Conrad Viedt, entre outros. A lista é enorme!"

Enorme, também, era a certeza de Lee que ele escaparia desses papéis reprisados, mais cedo ou mais tarde. Enquanto isso, ele continua a atuar em longas onde ele pode se sentir, como um todo, inferior. Mas ele nunca permitiu que o tamanho do orçamento ou talento ao seu redor influenciasse em suas performances.



Ele continuou a entregar o melhor que pôde em filmes tais como "O Soro Maldito", "As Bodas de Satã" e "Hércules no Centro da Terra", re-intitulado "Hércules versus os Vampiros", para enfatizar na presença de Lee.

Felizmente, pelo caminho, o ator também foi hábil para interpretar alguns dos melhores personagens da literatura, entre eles Rasputin, Fu Manchu (numa série de aventuras da Hammer) e o excelente detetive Sherlock Holmes em um filme alemão baseado no "O vale do Terror". Lee, filho de um itinerante embaixador, fala várias línguas estrangeiras fluentemente, fazendo dele um ator popular na França, Itália, Alemanha, entre outros. Mas foi num papel feito depois, pelos melhores olhos privados da Inglaterra, que se tornou realmente notável no rolar do ano de 1970.



"Eu acho que eu sou o único ator na história a interpretar ambos os irmãos Holmes," Lee pronuncia orgulhosamente. E ele tinha bons motivos para ter orgulho, considerando o que a performance como o segundo irmão dos Holmes, propiciou a ele. "'A Vida Íntima de Sherlock Holmes' foi uma das retratações mais importantes da minha carreira," o ator explica, "porque quebrou completamente esse círculo de filmes repetitivos que começava a me chocar. O papel de Mycroft, quem, você deve se lembrar, Sherlock chamou de 'cérebro da família' no A. Os livros do Conan Doyle, totalmente, sem equívocos, quebraram isso. Eu devo ser sempre enormemente grato ao Billy Wilder por me colocar no elenco. Realmente, se Billy Wilder, um dos maiores diretores da história do cinema pôde dizer, 'Eu não estou interessado no que este ator têm feito, eu apenas me interesso pelo que ele pode representar em sua parte no meu filme', bem, isso é bom o suficiente para praticamente qualquer diretor no mundo."



E, de fato, o filme pareceu 'fazer o truque', por um tempo não acendeu a chama das bilheterias americana, os personagens subsequentes de Christopher Lee, embora continuassem como vilões, eram indivíduos de impressão completamente diferente e de outro calibre.

"Você vai desde 'O Homem de Palha', provavelmente uma das melhores coisas que eu já vi em qualquer filme ou época, até 'Os Três Mosqueteiros' e 'Os Quatro Mosqueteiros', dois grandes, e enormemente populares filmes...




Chris Lee como (do topo da esquerda) A Múmia, Fu Manchu, Maldição de Frankenstein, Drácula, Zandor de Espaço: 1999, o feiticeiro de Aventura na Arábia, Dr. Hidern em A Essência da Maldade e Kharis na versão de A Múmia, da Hammer.



... Antes com Jams Bond, interpretando "007 - Contra o Homem com a Pistola de Ouro". Eu continuei percorrendo o caminho da injustiça, mas a tonalidade de uma vilania. Mycroft e Rochefort, nos Mosqueteiros, eram irônicos. Scaramanga, o 'Nemesis' do 007, é charmoso. Lúcifer, do Poor Devil, um filme de TV que fiz, era divertido. Então, percebe, existe uma enorme variedade no terreno dos vilões."

E há uma enorme recompensa também. Apesar de tudo, continua principalmente atrelado como um 'pesado do terror'. A reputação de Lee começou mudando, o mais notável entre as diversas parcialidades que anteriormente amavam ele só como vampiro — o público americano. Buscando atender as audições de atores, Christopher Lee se mudou e permaneceu na Califórnia.



"E qual foi a primeira coisa que me pediram para fazer na américa?" Lee pergunta, apreciando suas lembranças. "Morra heroicamente e salve todos no 'Aeroporto' de '77. Pela maneira que ocorreu, eu quase morri na realidade também. Você tenta flutuar sobre uma janela subaquática com os olhos abertor, 90 segundos de cada vez, repetidas vezes. Não foi fácil, acredite. Mas valeu a pena."

Não apenas Lee tinha muita demanda neste país, mas depois de aparecer em duas ofertas menores de ficção científica, "O Dia do Juízo Final" e 'Starship Invasions', ele soube que não precisaria mais depender de gênero de representações de baixo orçamento para garantir sua subsistência.

"Até mesmo esses dois 'esforços' foram largamente feitos na base de equívocos," Lee admite. "Eu estava asseguradamente certo de que não eram verídicos. Por outro lado, essas produções realmente não valem a discussão."



Acima: O Soro Maldito, fazendo o mal. À esquerda: O Vampiro da Noite vive!




O que vale uma discussão, no que toca o ator, era sua recém-formada atenção, criada pela recente infusão de talentos jovens de Hollywood, as mesmíssimas pessoas que tinham curtiram suas fascinantes e horripilantes performances dos anos 60.

"Eu agora cito um executivo senior de um dos maiores estúdios americanos," Lee declara. "'Você é agora o sucessor e o único sucessor de Calude, Rains, Basil Rathbone e George Saunders.' Eu considero que estou em muito boa companhia, você não acha? Reconhecidamente, as coisas estão mudando para mim e para a indústria. Uma nova geração altamente criativa de produtores e diretores está aparecendo."



A evidência da convicção de Lee é uma receita pronta. Uma performance que ele considera, como muito diz, a mais importante coisa que já aconteceu à ele, ocorreu ano passado; Não em qualquer palco teatral ou tela de cinema, mas na televisão.

"Saturday Night Live." Lee revela. "Uma comédia, reprisada em cadeia após dois meses. Na primeira vez televisionada, atingiu uma audiência de 36 pontos e nas reprises teve 33 ou 34. O que significa que em algo em torno de 50-55 milhões de pessoas viram o programa. E eles não mudaram de canal. Foi a coisa mais importante que me aconteceu porque mostrou que o público americano e para a indústria americana, que sou capaz de fazer comédia.




A Seita do Dragão Vermelho prova seu mérito literal entre cenas de tortura no set.

Na verdade, eu acho que isso é o meu melhor."

A resposta para uma audição foi instantânea e gratificante. Depois de Lee fazer uma aparição como ator convidado na série da ABC, How the West Was Won e completar seu papel como um frio e civilizado cientista maluco antagônico, Bette Davis em Return from the Witch mountain, produção da Walt Disney, ele começou em uma cadeia de papéis desafiadores de todos os tipos, ao redor do mundo.

"Eu fui participar de 'Caravanas', interpretei o soberano do reino da Arábia, até 'Círculo de Ferro', como mestre de artes marciais, até 'Passageiros do Inferno', como o cabeça de uma família egípcia, até 'O Pirata', no canal de tv, CBS, até The Jaguar Lives!, como um traficante de drogas de Madrid, e agora 'Aventuras na Arábia'. Isso só mostra que desde que vim para a América, eu não havia feito nada pelo qual eu tenha supostamente sido famoso. Eu estou no meu décimo primeiro filme agora. Agora, você quem me diz, cadê os papéis reprisados?"

No momento, Christopher Lee está novamente emerso na maldade em seu mais novo papel como um feiticeiro esquizofrênico, um que mantêm sua personalidade generosa em um espelho mágico. É, apesar de tudo, outra forma de caracterização de um vilão para ele, mas, como os outros vilões, de uma espécie diferente. Conforme ele se prepara para voltar ao set do Arábia, ele retorna uma última vez.

"Lembrem-se", ele diz, "não existe esse negócio de 'totalmente malvado'. Boris Karloff e eu costumávamos ter extensas conversas sobre isso. Lon Chaney disse à ele e ele estava me dando uma dica: 'Deixe seguir com o telespectador. Não revele tudo à eles. Deixe com que eles imaginem por conta própria. Então eles estarão bem à frente de você.' E eles geralmente estão. Eu nunca me esqueci disso."

Então Christopher Lee parte, de volta para frente das câmeras, criando mais de sua mágica especia; mágica que tem desaparecido rapidamente nessa era de anti-heróis e anti-vilões. Quase todas as representações de Lee envolvem homens de grande capacidade mas, de alguma forma, eles perdem seu senso de humanidade precisamente para fazer desses papéis algo 'vivo'.

Apesar de pensar que sua presença altaneira partiu em direção ao camarim, eu não pudi deixar controlar meu dedo de fotógrafo... E fui à procura de quaisquer furos que contassem uma história antes de empacotar meu equipamento.
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