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Crítica: "31" (2016)




 AVISO I: Essa crítica contém palavreados chulos (igual no filme, se não gosta já pare de ler)
AVISO II: Essa crítica é, antes de qualquer coisa, baseada na minha opinião.

Primeiramente, não considero Rob Zombie revolucionário, como muitos dizem. Ele basicamente só se apropria de elementos criados anteriormente com uma pegada vintage e com uma violência à modo moderno de se fazer, não tem nada de revolucionário nisso. No entanto, uma boa história com uma base consistente de terror, atuação sincera, um ideal visual... Sim, esse sim são os ingredientes certos que constituem clássicos e é o que tá faltando para um cara que tem a faca e o queijo na mão. Voto que técnica e orçamento são, de longe, menos importantes que uma determinação de criar um conteúdo original e isso falta para ele, também.

Vou fazer uma breve avaliação sobre "31", o novo filme do Rob Zombie. Livre de spoilers. Para começo de conversa, eu considerei um Survivor Horror padrão sem pé nem cabeça. Tem muita violência, suspense, e sangue, mas não é inteligente para propiciar grandes surpresas. E parece que esqueceram de construir um roteiro crescente, sem o qual, tudo isso acaba se secundarizando... E foi o que aconteceu. Esse filme não é ruim, mas para quem conhece os filmes do Zombie, parece já meio debilitado.

Vemos, novamente, Zombie mandando na média do seu estilo de cinema. Sempre muito característico dele, e quem gosta, gosta, quem não gosta, não gosta. Mas agora aposta numa qualidade visual ainda superior. Uma cinematografia mais preparada. Em época de 4k, a precisão de detalhes é uma coisa impressionante e muito satisfatória nas produções. No entanto, Zombie já foi mais criativo com suas invenções... Não que hoje não seja, mas agora já começa a beirar coincidências demais com filmes como Rejeitados pelo Diabo e Casa dos Mil Corpos. É palhaço maluco, é gente insana matando por prazer, é bizarrice, maluquice, insanidade... Porra, Zombie, você que é músico, troca esse disco porra! (Obs.: Eu disse troca, nem ouso pedir para ele virar que vai nem deve tá rodando mais)

Uma das coisas que mais detestei nesse filme, e pode ser simplesmente uma coisa minha, pessoal, é com o filme foi filmado, para começar o formato da tela, cinemascope, e isso é muito bom para quem tem TV 4K, monitores de último tipo. Eu não tenho, e não conheço ninguém que tenha, não acho que seja realidade brasileira ainda. Tudo bem, entendo que os filmes mais modernos tem sempre que convergir para o ápice de definição, e a tendência é que caminhe para isso mesmo, cada vez um ângulo mais aberto. Mas nesse filme a aproximação da câmera atrapalha E MUITO. Nas cenas (e não são poucas) você se perde e fica algo confuso, e isso atrapalhou bastante.



Bom, a falar sobre o filme, dá para dizer que só a introdução dos 9 primeiros minutos já são mais importantes que uns 25% desse filme que anda muito, no começo, sem sair do lugar. Uma introdução, no entanto, excelente e atuação insana do ator Richard Brake, palmas para ele, porque ele merece todos os méritos possíveis nessa obra. O cara é um monstro! Em seu mais novo papel doentio e psicótico sem escrúpulos, simplesmente perfeito e já ao contrário de outros, muito bem escolhido e escalado.

Uma outra participação que eu, pelo menos, considerei legal foi a do Malcolm McDowell, aos 73 anos, o cara que já fez de tudo: Filme bom, filme ruim, clássicos épicos, filmes lixo e escanteáveis; Agora se colocou numa situação engraçada. Estrelando em um filme chupadíssimo do Laranja Mecânica. A principio uma referência estranha, mas que ficou clara para mim. O cara atuando para um filme que "copia" outro filme que o próprio estrelou há 44 anos atrás. É 'quase igual' a ver uma banda roqueira idosa interpretando suas sucessos tão mal que parecem fazer cover de si. Com a ressalva de que o tempo em nada afetou nos atributos e talentos do profissionalíssimo McDowell, ele até mandou bem.


Ainda sobre atores, é impossível deixar de mencionar a presença erótica da Sheri Moon Zombie. Eu, particularmente, confesso que sempre fui dos que criticou a sua repetitiva participação nos filmes do maridão e principalmente critiquei ele mesmo, por não quebrar esse ciclo. E aqui não mudo de opinião. Eu continuo a achar que Sheri Moon tá LIMITANDO o Rob Zombie... Só que tem um diferencial: Nesse filme ela fez o melhor dela até então, (nem se compara ao lixo desastroso que foi Lords of Salem). Sheri Moon infelizmente não é tão boa Scream Queen assim, sempre achei isso... Esse filme só comprova. E é isso, ela sempre vai limitar ele, é um casal maravilhoso, mas enquanto vermos ela num filme dele, sabemos que a manta protetora do diretor não vai permitir que seu personagem pereça logo de cara, ou de maneira pífia.

Novamente sobre Sheri. Não sei muito bem o que tem na cabeça do Zombie, ele tem jeito de ser esses maridões tarados, só pode. Todo filme no qual escala a sua mulher, é para pô-la seminua, sensualizando. Aqui também! É o começo inteiro praticamente focado nisso. A propósito, ela não fica pelada nesse filme... Quem odeia os filmes dele e só pensa em ver por causa da mulher dele, pode ficar sabendo. Mas, por outro lado, não deixa de evidenciar diálogos sexistas e altamente sugestivos.

Bom. Eu gostei desse filme, a atuação tá bem nojenta, porra-louca e escrota, mais do que nunca. Nesse aspecto DISPARADO, o filme mais arrojado do Zombie em mostrar caipiras e roceiros soltando um palavrão para cada duas palavras. O filme mais fuck it all da carreira do Zombie, parece.

O Grande defeito de "31"

O que matou esse filme foi a agitação, tanto é que, para mim ao menos, uma das melhores cenas é a primeira, a única cena estática do filme inteiro, com câmera parada, porque o resto... Isso atrapalha porque? Bom, "31" bebe sem pudor da fonte do "Massacre da Serra Elétrica", nada contra, que filme depois dele não o fez? Mas nesta obra, pelo menos, é uma fórmula certeira e clássica aplicada de maneira equivocada e exagerada, no modo força bruta.

Lembram das cenas iniciais do Massacre? A calma foi essencial. O começo quieto é um tempo que, normalmente (entre os fãs merdas de terror) pode ser entediante, mas é crucial e quase que didático sobre os personagens que temos que conhecer, para criar alguma forma de empatia pelo mesmo. Tem gente que consegue entrar de cabeça rapidamente, o que não é o meu caso, geralmente.

E um tempo com os atores menos conhecidos então é ainda mais importante, e considero até comum em muitos desses filmes de horror survivor para nos familiarizarmos melhor. Nesse filme não, desde a montagem dos créditos de abertura, a câmera não para por 1 minuto, e devido as cenas de dialogo frenéticas (e desnecessários) fica até meio difícil de se concentrar nos personagens e criar empatia. Eu mesmo nem decorei nomes, de alguns. Não deu. No entanto, essa empatia surge no decorrer do filme quando dá merda, mas já de forma retardada, e criando até um efeito inverso sobre a tal câmera parada, tipo: PORRA, AGORA ELE JÁ MORREU, FODA-SE!



Opa, opa! Brincadeirinha!

E outra, a agitação e proximidade estragaram as cenas de ação, é uma confusão do caralho. Tinha cena ali que eu não entendia nada, erro de execução. Vai ver se isso aconteceu no Massacre II... Lá é moto-serra e correria mas graças ao enquadro em ambientes mais espaçosos, e a excelente falta de mal de Alzheimer do cameramen, isso não aconteceu, tanto é que tudo é entendível e passível de tensão pura.

Uma cena... Uma única cena, nesse filme, eu vou tirar o chapéu para inquietação, que é aquela da luz de Strobo (piscante), prometi não dar spoiler. Mesmo assim, pouco nítida, mas é criativa.

As influências do Massacre vão longe com Zombie, como sempre. Dessa vez, desde a coincidência de viajantes aventureiros dos anos 70 até ângulos de câmera e edição, completamente familiares. Só faltou eles filmarem lá onde foi o filme original para ficar mais familiar.

E para fechar, o que mais posso dizer? Bom, sem querer esculhambar com o Zombie, eu até respeito ele e os filmes que ele faz (exceto o Lords of Salem, claro), mas ele tem muito o que aprender ainda com os ângulos de câmera extremamente minimalistas do Tobe Hooper, daqueles que pegam pequenas veias dos olhos pulsando e suas ótimas sequências de edições. E olha que o cara fez isso na década de 70 e hoje muita gente não consegue imitar.. Apesar disso, parece que alguns já manjam de copiar a sensualidade do Massacre até melhor que o original. Isso sim, é importantíssimo!

Numa boa, acho que já tá na hora do Zombie experimentar um filme sem a Sheri Moon Zombie. Se é que ela vai deixar KKKK.
 

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