domingo, 4 de setembro de 2016

Memorabília: Tom Savini na 1ª Edição da revista Fangoria (Agosto, 1979)

Estou pensando em começar a trazer matérias traduzidas da revista americana Fangoria aqui para vocês. Fangoria Magazine para quem não conhece é uma das maiores e pioneiras revistas do gênero de Ficção científica, Terror e Fantasia em geral, escrita por Kerry O'Quinn. Tendo esta por sua primeira edição inaugurativa em Agosto de 1979. Muito bem sucedida, a revista por décadas a revista trouxe reviews, análises, críticas, notícias e bastidores dos mais diversos filmes, produções e sobre atores, no mundo do cinema do gênero. A revista mensal já teve mais de 300 edições desde o seu lançamento, sempre com um lançamento mensal sendo e vale lembrar que é um projeto que se expandiu, continuando na ativa até os dias atuais. Vocês podem conhecer melhor sobre a revista no site oficial: http://www.fangoria.com.



(Matéria recortada em partes para melhor tradução)



TOM SAVINI:
Novo mestre das Maquiagens Mágicas

  • "O Despertar dos Mortos" emprega alguns dos mais terríveis, embora absolutamente realísticas, efeitos de maquiagem já vistos nas telas. E diferentemente do seu antecessor, "A Noite dos Mortos-Vivos", "Despertar" é todo em cores. Certo: O morto vive. Além: Savini trabalha no dito-cujo.

Com apenas quatro filmes e mais de 70 produções de palco nos seu currículo, o maquiador, dublê e ator Tom Savini é a nova estrela ascendente com dons peculiares e chocantes.


POR DAVID HUTCHISON

Tom Savini tem três faces. Ele é um artista maquiador de efeitos especiais, ator e dublê. Em "Despertar dos Mortos", continuação do "Noite dos Mortos-Vivos" de George Romero, e o mais recente aplicação num filme de Savini, ele aparece como um motociclista líder de gangue. Blade, executa vários saltos e cai como um dublê e é responsável pela criação e execução da surpreendente maquiagem de efeitos especiais pelo qual o filme rapidamente tem se consagrado.

A primeira designação de Savini foi no "Dead of Night" de Bob Clarke, seguido pelo filme seguinte de Clarke, "Confissões de um Necrófilo". Mas ele realmente começou como ator de teatro. "De fato, diz Tom, "Eu recebi um telegrama de George Romero sobre fazer o "Despertar dos Mortos" enquanto eu interpretava Filipe II de França em uma produção de O Leão no Inverno para um teatro do Carolina do Norte."

O roteiro do "Despertar" logo chegou por telegrama. Depois de dar uma olhada nele, Savini se lembrou de ter ficado um pouco surpreso e receoso pela total quantidade de efeitos de maquiagem exigida. Além disso, o roteiro pedia por um número de efeitos que Savini nunca havia feito antes. "Mas," sorri Savini, "a parte divertida do que eu faço é criar soluções para tais problemas. Por exemplo. Eu nunca escalpelei a cabeça de alguém com uma hélice de helicóptero rodopiando ou enfiei uma fação com toda a força na cabeça de alguém."

Mas resolver tais tipos de problemas é a especialidade de Savini. "Filmes são meios realmente mágicos. Lá está um frame em branco e você pode criar qualquer coisa. Os espectadores estão acompanhando tudo através do olho da câmera. Você pode tornar ilusões reais — fazer pessoas pensarem que eles...




Viram coisas que na verdade não viram... como explodir a cabeça de um cara com uma .12.
"Criar essas ilusões para o George Romero é divertido, porque ele gosta de que tudo aconteça bem na câmera. Se alguém vai ter um facão enfiado em sua cabeça, ele não corta antes do golpe e edita para a cena já com os restos de sangue. Ele gosta de que as coisas aconteçam do começo ao fim — o cara pega o facão, levanta, então soca bem na cabeça com a lâmina... E na câmera!

"Ou a lâmina do helicóptero cortando o topo da cabeça do zumbi. Teria sido muito mais fácil filmar com um cara de pé próximo ao helicóptero e então cortar para a filmagem de um manequim com a hélice passando totalmente pela cabeça do manequim. Mas George quis o cara realmente ali em pé do lado da lâmina rodopiando e então whacko, sem escalpo!"



Achar atores dispostos a fazer tais façanhas não é tão difícil quanto parece. Para a cena do helicóptero Savini se topou com um amigo que não via há alguns anos. "Eu simplesmente fui até ele e perguntei se ele gostaria de atuar num filme. 'Eu tenho um efeito aqui, que envolve você ter parte da sua cabeça fatiada com uma hélice de helicóptero.' A resposta do meu amigo foi, 'Isso aí, demais!'
"Eu acho que ele confiava em mim," reflete Savini.

"Eu vi o filme finalizado algumas vezes até agora e o efeito do helicóptero quase sempre é aplaudido. O porque dos espectadores aplaudirem lá, não estou certo ainda. É o efeito ou só o fato do zumbi ter sido abatido sem nosso herói ter que fazer coisa alguma?"
Os 10 primeiros minutos são os mais descritíveis. "Está abarrotado com efeitos.



Eu costumo esperar pela sequência da .12. Quando a cabeça dos caras é explodida em pedaços, toda a platéia grita e pula dos seus acentos. Daquele momento em diante, o público sabe no que se meteu."

Foi complicado fazer os efeitos parecerem tão gore quanto possível? "Não." diz Savini, "simplesmente acabou ficando daquele jeito. Muitas vezes eu estaria sentando ao redor do elenco tentando pensar em novas maneiras de matar pessoas. Algumas das ideias acharam seu caminho no filme. Por exemplo, um dos heróis está lutando com um zumbi de um zelador. Ele pega uma chave de fenda no cinto de ferramentas do zumbi e acaba por enfiar no seu ouvido e cérebro... E tudo isso, bem na frente da câmera!"



A solução de Savini foi simples e ingênua. "Eu pintei um canudo de latinha de refrigerante qualquer de prata e enfiei numa chave de fenda que havia sido cortada ao meio assim funcionou como uma lâmina retrátil. Então eu coloquei uma seringa, como uma seringa de ouvido de bebê, embaixo na extensão da seringa. O 'sangue' fluía através do canudo e parecia que estava saindo do ouvido. Então eu equipei uma segunda, chave de fenda menor com uma bola de cera dentro da orelha do ator, assim ficaria lá, cravado fora da sua orelha, e assim pareceria que a maior parte da lâmina estava enfiada no seu cérebro."

Existem diversas sequências onde zumbis mordem pessoas. "Eu acho que os efeitos de mordida acabaram se saindo melhor do que eu esperava — surpreendentemente. O elenco no set até reagiu a elas. Após as primeiras cenas terem sido feitas no qual um zumbi arranca de uma pessoa uma mordida, dá para ver a carne rasgada e o sangue jorrando, houve esse longo suspiro do elenco e então...



Aplausos. As pessoas vinham até mim dizendo que eram os melhores efeitos que elas já viram!"
O interesse de Tom Savini pela maquiagem começou aos 13 anos quando ele conheceu James Cagney no O Homem das Mil Caras — a história de vida do lendário Lon Chaney. "Eu comecei a juntar meu próprio kit de maquiagem, pedindo para minha mãe, batom, pó compacto, etc. Eu estava sempre lá em cima no meu quarto aprontando com a minha cara" ri Savini. "Eventualmente, eu comecei a comprar livros sobre o assunto, adquirindo material profissional e comecei a fazer algum dinheiro com isso.



  • Acima de tudo, Tom Savini aprecia George Romero por seus ideias de efeito, não importa o quão gore eles possam parecer, para parecerem completamente acreditáveis. Essa cena de cabeça explodindo surge nos 10 primeiros minutos de filme.
"Na Carolina do Norte, após eu voltar do Vietnã (eu me alistei no exército), Eu me tornei diretor de maquiagens para três teatros. Eu também atuei, fazendo um show há cada duas meses a cinco ou seis anos. Quanto mais eu atuei, melhor fui ficando, até eu interpretar protagonistas."

Savini pôde ser visto numa vasta variedade de papéis em todos os tipos de produção, de Rei Arthur em Camelot to Thoreau no The Night Thoreau Spent In Jail. "Eu interpretava as meia-irmãs feias da Cinderella ou até Charlie Brown em You're a Good Man, Charlie Brown. Eventualmente eu vim para Pittsburg e fiz audição para Carne-Gie-Mellon. Eles me deram uma Bolsa completa para ator-major, enquanto eu pensava no curso de efeitos e maquiagem, claro. Não muito depois disso eu comecei com George Romero em Martin."

Ele gosta de atuar mais que de efeitos de maquiagem? "Bem, a combinação seria o grande trunfo.



Savini diz: "A parte divertida é criar soluções para problemas. Você criar ilusões da realidade — fazer as pessoas verem coisas que não existem..."


Essa habilidade técnica que tenho como um artista maquiador e dublê me põe em lugares onde somente com atuação eu não conseguiria chegar."

Seu ídolo pessoal é Dick Smith, à quem Savini admira como "o mestre e deus de efeito de maquiagem de próteses. Eu li tudo sobre ele já publicado. Eu até estudei as fotos dos seus workshops com lupas!"

Tom Savini é uma verdadeira e rara combinação de talentos, a quem seria bom ficar de olho no fuuro. Como um admirador do elenco do "Despertar" pôs, "Eu quero seu autógrafo, você vai ser famoso!"
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